Braskem sobe na Bolsa após lucro trimestral; dívida ainda preocupa mercado
As ações da Braskem são negociadas em alta de 6% hoje na Bolsa, na primeira reação dos investidores aos resultados da empresa petroquímica referentes ao segundo trimestre. O desempenho operacional foi bem recebido por analistas, que seguem preocupados com peso da dívida no balanço da companhia.
Ações da Braskem sobem na Bolsa. Papéis negociados na B3 tinham variação positiva de 6,31% à 14h, cotados a R$ 4,55. Mesmo com a variação positiva de hoje, ações seguem ao redor de mínimas históricas. No ano, ação acumula baixa de 43%. Na máxima histórica, em 2021, papel chegou a valer R$ 55,11.
Empresa reportou lucro para o segundo trimestre. A Braskem lucrou US$ 664 milhões (R$ 3,33 bilhões) no segundo trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de US$ 45 milhões (R$ 267 milhões) registrado no mesmo período do ano passado, informou a petroquímica em seu balanço trimestral.
Resultado foi puxado pelo aumento do lucro bruto. O ganho operacional cresceu graças a maiores spreads (a diferença entre o preço de venda e ao custo da matéria-prima) químicos e petroquímicos no mercado internacional.
Receita líquida somou US$ 4,30 bilhões no trimestre, alta de 37% sobre os US$ 3,15 bilhões do segundo trimestre de 2025. O Ebitda recorrente (indicador que mede a geração de caixa, aqui já sem efeitos não recorrentes do trimestre) saltou de US$ 74 milhões no segundo trimestre de 2025 para US$ 1,04 bilhão neste ano, com a margem Ebitda passando de 2% para 24%. A companhia atribui o salto ao conflito no Oriente Médio, que restringiu a oferta global de matérias-primas e elevou os preços de petróleo e nafta, encarecendo o custo do produtor marginal na Ásia e pressionando para cima os spreads de resinas e químicos.
Dívida líquida ajustada da companhia terminou junho de 2026 em US$ 9,43 bilhões, alta de 3% sobre os US$ 9,18 bilhões de março de 2026. Já a alavancagem — a relação entre essa dívida e o Ebitda recorrente acumulado em 12 meses — recuou de 18,18 vezes para 6,74 vezes no mesmo intervalo, movimento explicado principalmente pelo salto do Ebitda do período, e não por uma redução da dívida em si.
Resultado operacional da Braskem foi forte, mas risco financeiro segue elevado, diz Citi. Em relatório, os analistas Gabriel Barra, Pedro Gama e Andrés Cardona afirma quem a recuperação dos spreads internacionais e os créditos do REIQ no Brasil tiveram efeito positivo. Apesar disso, apontam, a melhora do Ebitda não foi suficiente para dissipar as preocupações com a situação financeira da companhia. Mesmo com a alavancagem ajustada recuando para 6,74 vezes, a dívida líquida ajustada subiu para US$ 9,43 bilhões, enquanto a liquidação de obrigações comerciais garantidas por cartas de crédito continua consumindo caixa.
O foco permanece integralmente voltado às negociações com credores financeiros para alcançar uma solução consensual de reestruturação, em meio à proximidade do vencimento das medidas de proteção judicial e à possibilidade de uma recuperação extrajudicial. Gabriel Barra, Pedro Gama e Andrés Cardona, analistas do Citi, em relatório
Em junho, a Justiça aceitou pedido de proteção financeira da Braskem por 60 dias.
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