Duplistas lutam por sobrevivência, mas US$ 20 milhões pesam contra
Os principais especialistas em duplas do circuito masculino divulgaram em suas redes sociais uma carta aberta ao Board da ATP, pedindo que as mudanças sugeridas pelo chefão da entidade, Andrea Gaudenzi, não sejam aprovadas quando a diretoria se reunir em Turim, em novembro, para votar os planos sugeridos para o circuito masculino a partir de 2028.
Se você não leu meus últimos textos (ou episódios do podcast Café Com o Cossenza), o mais importante a saber é que Gaudenzi quer reduzir drasticamente o circuito de duplas. Quer chaves cortadas pela metade e menos premiação em dinheiro. Seu plano é redirecionar US$ 20 milhões do prêmio que vem sendo distribuído às duplas e transferir isto para as simples. Para sensibilizar e convencer os simplistas, o executivo promete destinar essas receitas aos qualifyings e às primeiras rodadas dos torneios da ATP (e, por ser uma proposta da ATP, não afeta os slams nem o circuito feminino).
Os duplistas estão preocupados. Com razão. Muitos deles vivem exclusivamente da modalidade. E se as projeções feitas por eles se confirmarem, só cerca de 30 atletas conseguirão sobreviver financeiramente jogando só duplas. Por isto, muitos deles publicaram uma carta aberta em sus redes sociais. E seus argumentos são bons. Falei sobre eles no Café Com o Cossenza desta terça-feira. Assista abaixo!
A carta é assinada por vários duplistas relevantes da atualidade e lendas da modalidade, como os americanos Bob e Mike Bryan. Os especialistas alegam que um esporte saudável não pode depender só de um pequeno grupo de estrelas; que as duplas são a modalidade mais jogada por praticantes amadores; e que são a entrada mais acessível ao tênis.
Opinam que a ATP precisa encontrar um equilíbrio melhor entre seus interesses comerciais e a responsabilidade com o legado do esporte e dos jogadores; que as duplas são uma parte vital da história e da identidade do tênis; que o futuro das duplas deve ser moldado de forma colaborativa, envolvendo jogadores, federações e torneios; e que as propostas de Gaudenzi não receberam o amplo apoio que mudanças grandes assim exigem.
Os duplistas garantem que não são avessos a mudanças, mas querem ajudar a moldá-las. Por isso, pedem ao Board da ATP que reconsidere as reduções propostas e trabalhe com eles "por um futuro melhor". Que o tênis tem que crescer, mas sem deixar as duplas para trás.
Minha opinião? É uma carta bem escrita. Mas boa o bastante para sensibilizar o board? Será? A sobrevivência das duplas como as conhecemos está em jogo, e Gaudenzi tem na mão 20 milhões de argumento$$$ contra elas.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.