Fabricantes chineses de robôs buscam transformar entusiasmo em trabalho útil
PEQUIM, 19 Ago (Reuters) - Fabricantes chineses de robôs exibiram máquinas humanóides separando encomendas, embalando celulares e ajudando em tarefas domésticas em uma conferência realizada em Pequim nesta quarta-feira, buscando demonstrar uma mudança das exibições voltadas para o entretenimento do público para um uso comercial mais amplo.
Mais de 300 empresas, em sua maioria nacionais, participam da Conferência Mundial de Robótica, que vai até domingo, apresentando mais de 2.000 itens em exposição e lançando mais de 150 produtos, segundo os organizadores.
O evento ocorre em meio a um aumento do interesse dos investidores em robôs humanóides, uma nova fonte potencial de crescimento industrial para a China e um campo de competição tecnológica com os Estados Unidos.
As ações da Unitree, a fabricante de robôs humanóides mais conhecida da China, dispararam quase seis vezes na estreia na bolsa de Xangai nesta quarta-feira, depois que a demanda dos investidores de varejo pela operação foi superada em mais de 8.000 vezes.
Madison Huang, executiva sênior da Nvidia e filha do presidente-executivo da fabricante norte-americana de chips, Jensen Huang, fez uma visita sem aviso prévio ao evento, observando robôs executarem chutes voadores e coreografias de dança antes de parar em um estande da companhia para perguntar sobre seus sensores.
Huang, que atraiu curiosos da mesma forma que seu pai em visitas anteriores a Pequim, supervisiona o marketing das plataformas Omniverse e de robótica da Nvidia, softwares usados para simular e testar IA física — sistemas capazes de perceber e agir no mundo real.
Apesar das tensões geopolíticas e das restrições dos Estados Unidos à exportação de chips de IA mais avançados da Nvidia para a China, a visita da executiva destacou o papel dos fornecedores estrangeiros no esforço da China para desenvolver robôs para suas empresas e residências.
A RealSense, fabricante norte-americana de sistemas de visão para robôs e uma das poucas expositoras estrangeiras na conferência, afirmou que está estabelecendo parcerias de vendas na China à medida que o setor se desenvolve.
“Vemos a China como um mercado muito estratégico para nós”, disse Mike Nielsen, diretor de marketing da empresa. “Ela está se tornando o centro da tecnologia humanóide.”
Na cerimônia de abertura, Xin Guobin, vice-ministro da Indústria e Tecnologia da Informação da China, afirmou que a robótica se tornou “uma força importante” no desenvolvimento econômico e social do país, segundo reportagem da mídia local.
Os robôs chineses estão sendo cada vez mais testados em ambientes de logística, manufatura e serviços.
“Nossos cenários de aplicação mais comuns estão na logística”, disse Zhang Dapeng, vice-presidente adjunto da Leju, empresa de robôs humanóides industriais, enquanto sua empresa demonstrava robôs movimentando e separando caixas e pequenos objetos.
Zhang disse que fábricas europeias e montadoras chinesas estão utilizando robôs da Leju para movimentar caixas e carregar componentes.
No estande da Robotera, um torso humanóide sobre uma base tripé com rodas classificava encomendas.
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