Exposição no MIS recupera imagens inéditas do documentário ‘Mulheres da Boca’
Quarenta e cinco anos depois do lançamento de Mulheres da Boca (1981), o Museu da Imagem e do Som ( MIS ) recupera parte da memória por trás do documentário experimental dirigido por Cida Aidar e Inês Castilho .
A partir desta quarta-feira, 2 de setembro, a instituição recebe uma exposição de mesmo nome, que reúne fotografias inéditas realizadas durante as filmagens nas ruas da Boca do Lixo , região central de São Paulo que, entre as décadas de 1970 e 1980, se consolidou como um dos principais polos do cinema independente brasileiro.
Preservadas em negativos por mais de quatro décadas, as imagens foram produzidas pelo fotógrafo Wagner Carvalho e agora passam por restauração e digitalização pela Cinelimite, com apoio do museu Soberano — Rua do Triunfo.
Os registros revelam diferentes aspectos da região naquele período, incluindo trabalhadoras do sexo, seus exploradores e o cotidiano de um território marcado pela convivência entre prostituição, criminalidade e uma intensa atividade cinematográfica.
Mais do que recuperar fotografias de um filme realizado no início dos anos 1980, a exposição propõe um olhar sobre a Boca do Lixo como um espaço de experimentação artística e resistência.
A mostra acompanha a trajetória de jovens feministas que encontraram no cinema uma ferramenta para registrar e dar visibilidade a mulheres e experiências que, muitas vezes, permaneciam à margem das narrativas oficiais.
As dezenas de fotografias reunidas pelo MIS também ajudam a reconstruir a memória da própria indústria cinematográfica que ocupava a região.
Conhecida por abrigar produtoras, distribuidoras, cinemas e profissionais ligados à produção independente, a Boca do Lixo tornou-se um território fundamental para compreender parte da história do cinema brasileiro.
Com curadoria de Inês Castilho , Marcelo Colaiácovo e William Plotnick , Mulheres da Boca estabelece um diálogo entre fotografia, cinema, feminismo e memória urbana.
A exposição será acompanhada por uma programação de filmes e palestras, ampliando a discussão sobre o período e sobre as diferentes formas de representação das mulheres no audiovisual.
Ao recuperar imagens que permaneceram preservadas em negativos durante décadas, a mostra também coloca em perspectiva os processos de construção da memória.
As fotografias de Carvalho não apenas documentam os bastidores de um filme, mas registram corpos, rostos, relações e um território que passou por profundas transformações ao longo dos anos.
Assim, Mulheres da Boca propõe revisitar a história da região não apenas como um capítulo da cinematografia paulistana, mas como um espaço atravessado por questões de gênero, trabalho, sexualidade, marginalidade e criação artística.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em rollingstone.com.br — o conteúdo pertence a Rolling Stone Brasil.