Por que uma propina cobrada resultou em morte e assombra a política do MA
Um encontro para debater um suposto rateio de propina acabou em morte no dia 19 de agosto de 2022 em São Luís e, mesmo passados quatro anos, o caso está assombrando a política no Maranhão. A investigação da PF (Polícia Federal) suspeita que, por trás da morte, existia um esquema de corrupção que envolveria a família Brandão e aliados.
Ontem, o sobrinho do governador, Daniel Brandão, foi afastado do cargo de presidente do TCE pelo ministro Flávio Dino , do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele é sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB). A PF pediu a saída dele do cargo por ele ser investigado no esquema e as apurações apontam que ele teria "comprado" o silêncio de um dos integrantes do grupo, o assassino confesso Gilbson Cutrim Junior.
A vítima morta foi João Bosco Sobrinho Pereira, de 46 anos, apontado como "cobrador profissional". Naquela tarde, diz a PF, ele estava no prédio junto com Daniel Brandão e o vereador de São Luís Beto Castro (Avante).
Carlos Brandão e Daniel Brandão negam qualquer envolvimento em esquema de propina e reclamam de serem investigados pelo STF ( leia as notas abaixo ).
Gilbson afirma que o encontro foi marcado para resolver divergências de uma propina após a liberação de R$ 778 mil pelo governo do estado (comandado por Carlos Brandão, à época candidato à reeleição) a uma empresa de vigilância que prestou serviços na época do governo Roseana Sarney (2009-2014).
Em depoimento à Justiça maranhense, em 2023, ele afirma que o acordo inicial era repassar 30% do valor para Bosco e Beto, mas o vereador teria mudado e passado a exigir 50%. Gilbson argumentou que a quantia não poderia ser paga devido a dívidas trabalhistas da empresa, que teriam bloqueado parte do dinheiro diretamente.
Até aquela ocasião, Gilbson negava a participação de Daniel Brandão no esquema de corrupção.
Dois dias antes do crime, Gilbson alegou que foi ameaçado por Bosco, caso não pagasse o valor pedido. Foi então que decidiram marcar um encontro no Tech Office para tentar resolver o impasse.
Gilbson sustenta que, no momento do crime, a vítima teria dito: "vamos pegar o filho dele". Ele relatou em depoimento ter "perdido o chão", por ser muito apegado à criança de 9 anos, e disparou contra Bosco.
Segundo a denúncia do MP-MA (Ministério Público do Maranhão), às 16h26, Gilbson deu três tiros contra Bosco, que morreu ainda no prédio.
O caso parecia encerrado até que Gilbson decidiu, no ano passado, mudar a versão já enquanto cumpria a pena pelo homicídio —ele foi condenado a 13 anos, 1 mês e 15 dias de prisão em dezembro de 2024.
O gatilho para isso veio após a esposa perceber que a saúde do marido estava se deteriorando no presídio. Em novembro de 2024, ela enviou mensagem a um advogado que seria represente de Daniel, pedindo que ele resolvesse a questão — caso isso não acontecesse, iria ao TCE cobrar Daniel pessoalmente.
A saúde de Gilbson seguiu ruim, e ela temeu que o marido fosse envenenado. Foi aí que ela procurou o MPF (Ministério Público Federal) para contar o caso e pedir providências.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.