Caso Igor Peretto: viúva vai a júri por morte de empresário em SP
A Justiça de São Paulo determinou que Rafaela Costa da Silva vá a júri acusada de participar do homicídio do marido, o comerciante Igor Peretto, morto a facadas em agosto de 2024, em Praia Grande, litoral de São Paulo.
A 5ª Câmara de Direito Criminal reverteu a decisão de primeira instância que havia retirado de Rafaela a acusação de homicídio. Para os desembargadores, existem indícios suficientes de participação no crime. A decisão foi tomada por unanimidade na quinta-feira (13), após recurso do Ministério Público de São Paulo.
Rafaela será julgada por homicídio qualificado por motivo torpe e meio cruel. Mario Vitorino da Silva Neto e Marcelly Peretto, irmã de Igor, já haviam sido pronunciados pelas mesmas acusações.
O tribunal descartou que Igor tenha sido atacado de surpresa. Com isso, afastou dos três acusados a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima, aplicada quando o crime envolve surpresa, emboscada ou outro meio que reduza a possibilidade de reação. Para os desembargadores, a discussão começou durante um trajeto de carro e continuou no apartamento de Marcelly.
Rafaela poderá recorrer em liberdade, enquanto Mario e Marcelly continuam presos preventivamente. O tribunal não encontrou elementos concretos de que a viúva possa interferir nas provas ou fugir. Ela está solta desde outubro de 2025 e não há registro de nova infração.
A acusação situa o homicídio entre 5h44 e 6h04. O celular entregue por Rafaela à polícia estava sem dados referentes ao período entre a meia-noite e as 6h30, intervalo que abrange o horário estimado do crime.
Uma ligação partiu do celular de Rafaela para o de Igor por volta das 6h, de acordo com o delegado responsável pela investigação. Os dados do contato haviam sido apagados. O policial também afirmou ter visto Rafaela manuseando o aparelho nas imagens das câmeras de segurança durante o período das exclusões.
Rafaela e Mario trocavam mensagens desde as 5h51, segundo o recurso do Ministério Público. Para a acusação, os contatos reforçam a suspeita de que ela acompanhava a movimentação que antecedeu a morte de Igor.
Rafaela deixou o prédio antes da chegada do marido e não estava no apartamento quando ele foi morto. Às 8h56, segundo o Ministério Público, ela foi com Mario para um motel em Pindamonhangaba. A acusação também afirma que Rafaela o ajudou a permanecer escondido na casa de um tio dela, em Torrinha.
Pesquisas sobre quanto tempo um corpo demora para apresentar odor e possíveis destinos no Nordeste também foram encontradas no aparelho. Rafaela afirmou em depoimento que não estava com o celular e não se lembrava de ter realizado as buscas.
Os policiais ouvidos durante o processo apresentaram versões diferentes sobre a existência de planejamento. O delegado Renato Mazagão Júnior afirmou acreditar em uma atuação conjunta motivada por ciúmes e interesses financeiros.
Três investigadores disseram não ter encontrado indícios de combinação prévia para matar Igor. Para eles, o homicídio pode ter ocorrido de forma impulsiva depois da discussão iniciada no carro.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.