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Cientistas descobrem aves mais barulhentas do mundo (e elas são brasileiras)

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Cientistas descobrem aves mais barulhentas do mundo (e elas são brasileiras)

Em 1843, durante uma temporada decepcionante em Portugal, o poeta brasileiro Gonçalves Dias escreveu o famosíssimo poema em que reclama de tudo que considerava deficitário no país europeu – as estrelas nos céus, as flores das várzeas, a vida nos bosques.

Para ele, nem mesmo os passarinhos prestavam, já que “As aves, que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá [ no Brasil ]”.

Cientificamente, é verdade: algumas aves brasileiras gorjeiam tão alto quanto uma motosserra.

É o que indica um novo estudo que mediu o volume do canto de mais de uma centena de aves diferentes ao redor do planeta.

Entre as espécies ouvidas, as mais barulhentas estão no Brasil: a araponga-comum ( Procnias nudicollis ) e a seriema-de-perna-vermelha ( Cariama cristata ), ambas capazes de cantar mais alto que uma britadeira.

Continua após a publicidade Analisando a física do som dos passarinhos, o trabalho publicado no periódico Evolution focou especificamente na amplitude – isto é, a intensidade com a qual uma onda sonora desloca as partículas do ar.

Essa propriedade influencia não só no quão longe um som consegue viajar como também no volume percebido pelos nossos ouvidos.

Para que servem os bigodes dos gatos? Continua após a publicidade A pesquisa reuniu dados sobre a amplitude dos cantos de 123 espécies localizadas no estado de Massachusets, nos EUA, e ao longo do Brasil – das quais 113 nunca tiveram seus volumes analisados.

“Conseguimos aumentar enormemente o número de espécies para as quais existem dados de amplitude”, afima Jeff Podos, coautor do estudo e ornitólogo da Universidade de Massachusetts Amherst .

“Esta é uma pesquisa básica e fundamental, que ninguém mais conseguiu realizar nessa escala, e ela aponta para todo tipo de outras questões interessantes que seria divertido investigar.” Continua após a publicidade No contexto dos estudos sobre a comunicação das aves, a nova pesquisa traz um avanço importante ao explorar um aspecto, até então, praticamente inexplorável.

A amplitude percebida de uma onda sonora depende da distância – um som alto vindo lá de longe, por exemplo, pode soar menos intenso do que algo sussurrado em seu ouvido.

Porém, os equipamentos necessários para medir a amplitude e a distância ao mesmo tempo simplesmente não existiam.

Estudos desse tipo, então, só eram possíveis dentro do laboratório – o que, lidando com animais silvestres de diferentes partes do planeta, tornava-se especialmente imprático.

Dessa vez, porém, os pesquisadores saíram dois equipamentos: um telêmetro a laser, do mesmo tipo usado pelos jogadores de golfe para medir a distância entre os buracos na grama; e um decibelímetro, que ajudaria a discernir qual ave específica produzia cada barulho.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em super.abril.com.br — o conteúdo pertence a Superinteressante.

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