A comida queimada
Toda família tem a comida queimada da mãe.
Aquele prato que chega à mesa com gosto de queimado, e que ninguém, nem o pai, nem os filhos, nem o convidado de ocasião, tem coragem de comentar.
Come-se calado.
Elogia-se o tempero.
Repete-se, inclusive, para provar que não queimou.
E o que se protege ali não é o jantar: é a ficção de que a mãe nunca erra.
Uma família só dura enquanto sustenta essa ficção.
No dia em que alguém disser “está queimado”, a mesa inteira desaba, e não sobra prato, não sobra mãe, não sobra casa é o fim do confort food.
O Supremo Tribunal Federal serviu, na terça-feira, o prato mais queimado dos últimos anos.
E por quase quatro horas, onze pessoas comeram, ruminaram aquilo.
Reparem no que a câmera pegou, porque a câmera não perdoa ninguém.
A mão que amassa uma folha que não precisava ser amassada.
O copo d’água levado à boca tarde demais, quando a voz já tinha falhado.
O dedo apontado na cara de um colega.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.campograndenews.com.br — o conteúdo pertence a Campo Grande News.