EY projeta alta de 1,6% a 2% para PIB do agro após avanço de 6,8% no 2º tri
São Paulo, 1 - O crescimento de 6,8% do PIB da agropecuária no segundo trimestre de 2026, ante segundo trimestre de 2025, veio acima do esperado e foi sustentado principalmente pelo desempenho das lavouras e pelo aumento dos abates de animais, avaliou o sócio de agronegócios da EY Brasil, José Carlos Hausknecht, ao Broadcast Agro , sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Para o ano, porém, a consultoria projeta expansão mais moderada, entre 1,6% e 2%, diante de perdas em algumas culturas e da perspectiva de redução dos abates de bovinos.Segundo Hausknecht, o resultado foi puxado sobretudo pela soja, principal produto agrícola do País. Ele também citou as contribuições de milho e cana-de-açúcar, esta já com o início da safra no Centro-Sul.Na pecuária, o crescimento dos abates de bovinos, frangos e suínos em relação ao segundo trimestre de 2025 também ajudou a sustentar o desempenho do setor. No trimestre, o PIB brasileiro avançou 2,0% na comparação anual, enquanto a agropecuária cresceu 6,8%. Na comparação com o primeiro trimestre, na série com ajuste sazonal, o setor registrou alta de 2,8%.Para o segundo semestre, contudo, Hausknecht vê um cenário menos favorável. "Nós temos alguns produtos com problemas", afirmou.Entre os fatores positivos, ele destacou café e algodão - beneficiado pela base fraca de comparação de 2025 - e a continuidade da safra de cana.Em contrapartida, a segunda safra de milho já indica pequena queda de produção, enquanto arroz e trigo também devem recuar. No caso do trigo, a redução é considerada significativa e está ligada à menor área cultivada.A pecuária bovina também tende a perder força nos próximos meses. De acordo com Hausknecht, já há redução dos abates, associada ao freio nas exportações para a China e ao menor alojamento de animais em confinamento. "Estamos vendo uma redução que deve persistir nos próximos meses", disse. A expectativa é de alguma recuperação em 2027, mas sem retomada expressiva no curto prazo. Para 2026, a avaliação da EY é que o abate de bovinos fique "um pouco abaixo do ano passado".Com a combinação de fatores positivos e negativos, a EY estima crescimento do PIB agropecuário de 1,6% a 2% em 2026. "Ainda é um crescimento bom", avaliou Hausknecht.Segundo o executivo, a projeção ainda não incorpora de forma relevante os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção agrícola. Isso porque impactos climáticos sobre as próximas safras devem aparecer principalmente nos resultados de 2027. "Só vamos ver os efeitos do El Niño no ano que vem", afirmou.
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