Da vida pessoal à função pública: por que o patrimônio também precisa de governança?
Em tempos de eleição, surgem questionamentos sobre quem vai compor o time de ministros que o próximo presidente, seja ele quem for, vai nomear.
É muito comum que empresários, investidores e outras pessoas públicas demonstrem interesse ou sejam alvo de especulações.
Essa eventual transição do setor privado para uma função pública costuma ser analisada sob diversas perspectivas: reputacional, profissional, política, jurídica.
Há, porém, uma dimensão menos discutida, mas realmente importante para quem pretende assumir posições de Estado: o que fazer com o patrimônio durante o período em que se ocupa um cargo na Administração Pública? A questão ganha relevância porque determinadas atribuições de Estado dão acesso a informações que ainda não estão disponíveis ao mercado.
Dados econômicos, decisões regulatórias, políticas setoriais e medidas governamentais podem ter consequências sobre preços de ativos, empresas e setores inteiros.
A legislação brasileira reconhece essa sensibilidade.
A Lei nº 12.813/2013 disciplina conflitos de interesses no âmbito do Poder Executivo federal e estabelece deveres relacionados à prevenção desses conflitos e à proteção de informações privilegiadas.
Portanto, para quem se prepara para assumir uma posição pública, o planejamento patrimonial deixa de estar restrito a preocupações habituais como a busca de eficiência financeira, sucessória ou tributária.
A governança desse patrimônio passa a fazer parte da equação.
Quanto menor for a interferência pessoal do agente público nas decisões de investimento durante o exercício do cargo, menor tende a ser o espaço para dúvidas sobre a motivação dessas decisões.
Quem está na Administração Pública passa conviver com um grau de escrutínio muito maior.
Decisões da vida privada, como onde investir e com quem se convive, ganham outra dimensão.
É nesse contexto que estruturas de gestão discricionária podem fazer sentido.
Veículos discricionários buscam assegurar que o dono dos recursos tenha ingerência mínima sobre a alocação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.