Ao priorizar disputas entre ministros, STF se reduz a um tribunal ensimesmado
A ministra Cármen Lúcia passou praticamente toda a sessão em silêncio.
Dividiu seu tempo entre fazer anotações e observar os colegas em cenas atípicas para uma Corte constitucional.
Em sua primeira manifestação, pediu desculpas aos brasileiros por não ter conseguido ajudar a conter a crise interna do tribunal e disse sentir um “mal-estar cívico”.
A fala de Cármen expressou mais do que um retrato do momento, mas uma preocupação além: como uma Corte imersa em seus problemas pode estar apta a resolver os principais conflitos de um país? Ensimesmado em seus conflitos internos, o Supremo não só está adiando sua atividade jurisdicional – vide as sessões canceladas – como abrindo um espaço para que suas decisões sejam questionadas não pelo teor jurídico, mas por suspeitas de motivações políticas e não republicanas.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Desde o início da sessão, havia um clima de tensão no plenário.
Posicionados lado a lado, os ministros-pivô da crise – Alexandre de Moraes e André Mendonça – evitaram interação.
Moraes passou boa parte do tempo fazendo anotações com uma caneta Bic azul.
Quando não estava escrevendo, digitava no celular.
Vez ou outra trocava olhares com ministros aliados, como Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino.
Enquanto outros falavam, ele balançava a cadeira de um lado para o outro.
Já Mendonça levou uma mochila e a posicionou ao lado de sua cadeira com vários papéis e marca-texto de quatro cores diferentes – rosa, verde, alaranjada e amarela.
Durante as falas de Moraes e Gilmar, o “terrivelmente evangélico” ensaiou várias vezes pegar o microfone para se posicionar, mas se conteve em diversas ocasiões.
Ensaiou interjeições como “meu deus”, mas ao ser acusado de desfaçatez, leviandade e de fazer ilações, não segurou o ímpeto de gritar com o ministro Mendes.
Outro momento de embate direto se deu quando Moraes disse “Quem tem medo da Polícia Federal?”, enquanto Mendonça falava na existência de uma PF paralela.
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