Colegialidade brutal: o fator Fachin
A sessão desta terça-feira (15) do Supremo Tribunal Federal produziu uma interpretação sobre Edson Fachin : faltou pulso.
Segundo a CNN, no Planalto esperava-se uma condução “mais firme”; Flávio Dino, no plenário, classificou como desastrosa a condução da sessão.
Também houve críticas ao tratamento distinto dado aos casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Essa leitura, porém, deixa de fora o estado em que o tribunal se encontrava quando Fachin interveio.
Moraes e Mendonça já trocavam acusações, e decisões conflitantes atingiam a Polícia Federal.
Fachin era pressionado por lados opostos a limitar ambos.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Sua estratégia pode ser entendida menos como busca de decisão rápida e mais como esforço de reconstruir um espaço comum de disputa.
Fachin retirou do inquérito das fake news o pedido de Moraes contra Mendonça, centralizou na presidência informações sobre o conflito, exigiu a abertura dos documentos do caso Master e levou a controvérsia ao plenário.
Na sessão, recusou o julgamento conjunto, mas já havia marcado data para examinar a conduta de Mendonça.
Esses atos são discutíveis, mas dificilmente descrevem uma operação de proteção de um dos lados.
O resultado foi uma colegialidade brutal, mas ainda colegialidade.
Moraes, Mendonça, Gilmar Mendes, Dino e Luiz Fux expuseram divergências antes dispersas em decisões, ofícios e bastidores.
O pedido de vista de Dino suspendeu o julgamento, com placar provisório de 4 a 3 pela separação dos casos.
Não houve solução, mas houve mudança: a crise deixou os gabinetes e passou a ter o plenário como arena.
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