Michelle Bolsonaro ganha espaço na direita
Durante uma carreata eleitoral em Brasília, Michelle Bolsonaro ouve gritos provocadores de um homem de esquerda e responde com um sorriso: "Você é Lula, eu sou Jair Bolsonaro e com respeito dá tudo certo".
Candidata ao Senado do Distrito Federal pelo Partido Liberal (PL), a esposa do ex-presidente Bolsonaro escolhe se diferenciar até no tom de seu enteado e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), que conduz uma campanha agressiva contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as eleições de outubro.
Aos 44 anos, a ex-primeira-dama ganha espaço na disputa da direita pelo legado do marido, até agora líder do conservadorismo brasileiro.
Embora não fale sobre suas ambições futuras, Michelle se projeta como opção para a eleição de 2030.
"A candidatura ao Senado é apenas o início: Michelle é hoje o maior nome político feminino no Brasil", afirmou à AFP seu irmão, assessor e também candidato à deputado distrital no Distrito Federal pelo PL, Eduardo Torres.
Mesmo praticamente sem fazer campanha e após ser hospitalizada brevemente nesta semana devido a uma enxaqueca, ela é favorita a conquistar uma vaga nas eleições legislativas de 4 de outubro.
Michelle apareceu entre os possíveis nomes para disputar a Presidência antes de Jair Bolsonaro escolher o filho.
Caso conquiste a vaga, esse será seu primeiro cargo eletivo, após comandar a ala feminina do Partido Liberal do marido, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe.
Com visual cuidadosamente produzido e cabelos pretos pouco acima dos ombros, Michelle costuma exibir símbolos religiosos e tem como base política as mulheres evangélicas, que possuem grande peso eleitoral.
Protestante devota e próxima de pastores conservadores, "Michelle é uma interlocutora chave" entre as mães e donas de casa evangélicas, "mais esquivas ao bolsonarismo do que os homens", explicou Graziella Testa, cientista política da Universidade Federal do Paraná.
Embora apoie a candidatura de Flávio, empatado com Lula nas pesquisas, Michelle Bolsonaro o acusou em junho de "desrespeitá-la" e tratá-la "como se fosse idiota" durante uma discussão política.
O enteado se desculpou publicamente, e ela respondeu com um vídeo no qual afirmou que o perdoava.
Até agora, porém, Michelle não participou de atos da campanha de Flávio. Ela alega que está ocupada cuidando do marido, de 71 anos e com a saúde fragilizada.
Em contrapartida, candidatos do interior viajam a Brasília para gravar propagandas com ela.
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