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Ciência

Cannabis e saúde mental: promessas e lacunas nas evidências

Agência FAPESP ·
Cannabis e saúde mental: promessas e lacunas nas evidências

As evidências sobre o uso medicinal de canabinoides em transtornos mentais ainda são escassas para a maioria das indicações e faltam estudos mais consistentes, com amos­tras maiores. Há sinais promissores para insônia, trans­torno do espectro autista (TEA), síndrome de Tourette e transtorno por uso de cannabis, mas a qualidade geral das evidências é baixa ou muito baixa, e o uso rotineiro des­ses produtos seria “raramente justificado” com base nos resultados disponíveis. As conclusões são da maior revi­são sistemática de estudos clínicos randomizados já feita sobre o tema, conduzida por pesquisadores das universi­dades de Sydney, Queensland e Melbourne, na Austrália, e Bath, no Reino Unido.

Publicada em março na revista The Lancet Psychiatry , a metanálise avaliou a eficácia e a segurança desses com­postos — derivados da planta Cannabis sativa , como o canabidiol (CBD) e o tetra-hidrocanabinol (THC) — em 54 ensaios publicados entre 1980 e 2025, com 2.477 partici­pantes, acompanhados por cerca de cinco semanas.

OMS Mais de 1 bi de pessoas vivem hoje no mundo com problemas de saúde mental Segundo o artigo, não foram observadas comprovações significativas da eficácia do uso medicinal de canabinoides contra ansiedade, anorexia nervosa, transtornos psicóti­cos, transtorno de estresse pós-traumático e transtorno por uso de opioides. Também não havia dados suficientes para avaliar seus efeitos em casos de transtorno de défi­cit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno bipo­lar, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno por uso de tabaco. Com a metodologia adotada, os auto­res tampouco localizaram ensaios clínicos randomizados sobre depressão, um dos transtornos mentais mais pre­valentes do mundo. De acordo com a Organização Mun­dial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com problemas de saúde mental.

“A metanálise não demonstra que os canabinoides não funcionam para os transtornos mentais. Na verdade, ela indica que, para uma parcela importante dessas condi­ções, ainda não temos evidências clínicas suficientes para afirmar que funcionam e, principalmente, para recomen­dar seu uso rotineiro”, pondera Lucindo José Quintans Júnior, professor titular do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e coordenador do Laboratório de Neurociências e Ensaios Farmacológi­cos (Lanef). O mesmo vale para a segurança. “O estudo não mostrou que os canabinoides são perigosos. Mostrou que produzem eventos adversos e que esse custo precisa ser colocado na balança diante de benefícios que, para mui­tas indicações psiquiátricas, continuam incertos.”

Essa assimetria — um evento adverso adicional a cada sete pacientes tratados, sem eficácia demonstrada — jus­tifica a cautela dos autores, avalia José Luiz da Costa, coor­denador do Centro de Informação e Assistência Toxicoló­gica de Campinas (Ciatox), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). E o resultado tem precedente.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.

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