O que vai acontecer com US$ 740 bi de brasileiros no exterior
Quem venceu a eleição importa menos do que o que o vencedor ainda precisa provar.
Foi essa a reação das áreas de gestão de patrimônio ( wealth management ) à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva , confirmada no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio Bolsonaro .
Com o resultado oposto, a resposta seria a mesma, ainda que por razões distintas.
Para os gestores, o dinheiro brasileiro no exterior não volta agora, e as palavras-chave são cautela, espera e ver para crer.
Segundo o Banco Central , os capitais de brasileiros no exterior somavam US$ 740,3 bilhões ao fim de 2025, ou mais de R$ 3,7 trilhões.
Desse total, US$ 281,5 bilhões pertenciam a pessoas físicas e US$ 458,8 bilhões, a empresas.
O estoque cresceu 13,1% em um ano, a maior alta desde 2014, o equivalente a cerca do dobro das reservas internacionais, de US$ 372,6 bilhões em agosto.
O dado, porém, se refere a ativos declarados, e não a recursos prontos para repatriação.
A maior parte, US$ 562,1 bilhões, se refere a investimento direto, sendo que 0,2% dos declarantes (aqueles com mais de US$ 1 bilhão) respondem por cerca de metade do total.
Com Lula, o principal desafio será o fiscal.
Segundo o Tesouro Nacional , o governo central acumulou déficit primário de R$ 68,7 bilhões em 12 meses até agosto (0,53% do PIB).
A meta de 2026 é de superávit de R$ 34,3 bilhões, com limite inferior de resultado zero, mas o governo prevê déficit de R$ 80,9 bilhões no ano, após descontar R$ 67,3 bilhões de despesas excluídas da meta.
Isso exigiu bloqueio de R$ 13,6 bilhões no Orçamento.
A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.