Lula celebra reeleição histórica e mal recebida pelos mercados
Líderes da América Latina e de potências mundiais, com exceção de Donald Trump, saudaram, nesta segunda-feira (26), a histórica reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mal recebida pela Bolsa de São Paulo, que suspendeu as negociações devido a uma queda acentuada.
Lula, de quase 81 anos, reverteu de forma surpreendente uma eleição que parecia caminhar para a vitória de Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com 51,8% dos votos, Lula conquistou um quarto mandato que lhe permitirá consolidar o Brasil como um reduto da esquerda em uma região que, em sua maioria, tem se voltado para a direita.
O mercado reagiu com ceticismo: a Bolsa de São Paulo suspendeu as negociações por 30 minutos nesta segunda-feira, antes da abertura oficial, devido a uma forte queda das ações.
Flávio Bolsonaro, de 45 anos, afirmou que solicitará a anulação do pleito, no qual obteve 48,2% dos votos, alegando uma "quebra total de isonomia entre os brasileiros", após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin ter estendido o horário de votação em duas horas.
A medida foi adotada depois que Lula denunciou problemas no transporte público que dificultaram a votação em cidades como Salvador e São Paulo; a decisão também atendeu a um pedido de Flávio Bolsonaro, fundamentado na ocorrência de "chuvas intensas" em alguns municípios.
A negação dos resultados lembra a reação de seu pai em 2022. Jair Bolsonaro nunca reconheceu sua derrota para Lula no segundo turno daquele ano. Mais tarde, foi condenado a 27 anos de prisão por uma tentativa de golpe de Estado contra o esquerdista.
Em sua sétima disputa presidencial, ele obteve mais de 64,2 milhões de votos, um número nunca registrado no país.
Em um segundo turno com uma abstenção de 19%, menor do que no primeiro, ele reverteu uma desvantagem de 2,2 milhões de votos em relação a Bolsonaro e passou a superá-lo por 4,4 milhões.
"Devo esta vitória à juventude rebelde que se levantou em defesa da democracia", disse Lula à noite, quase sem voz, cercado por uma multidão na Avenida Paulista, em São Paulo.
Lula alcançou outro resultado fundamental: reverteu a derrota sofrida no primeiro turno em Minas Gerais, um estado agroindustrial que, historicamente, funciona como um termômetro eleitoral.
Para o analista político Thomas Traumann, parte de seu sucesso deve-se à rejeição que a possibilidade de um novo governo de extrema direita provocava.
"Estou feliz da vida. Acho que a gente conseguiu derrotar uma ameaça muito difícil", comemorou Maira de Mello Cabral, uma psicanalista de 42 anos, no Rio de Janeiro.
Flávio Bolsonaro afirmou que é "impossível reconhecer o resultado", cercado por jovens com milhões de seguidores nas redes sociais que se recusam a aceitar a derrota.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.