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Tarifas de Trump fazem empresas canadenses considerar mudança para os EUA

Folha de S.Paulo ·
Tarifas de Trump fazem empresas canadenses considerar mudança para os EUA

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Na empresa Northern Cables, as máquinas que produzem cabos revestidos de aço funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana. O ritmo acelerado, no entanto, não é motivado por uma enxurrada de novos pedidos, e sim pelo medo.

A empresa canadense corre para abastecer armazéns nos Estados Unidos . Ela é uma das muitas fabricantes canadenses de produtos destinados a clientes americanos que agora enfrentam pressão para transferir suas fábricas para o país vizinho, a fim de evitar as tarifas de 50% do presidente Donald Trump , previstas para entrar em vigor na próxima semana.

A mais recente ofensiva tarifária de Trump atinge a Northern Cables de forma particularmente direta. Parte de sua fábrica está instalada em uma antiga engarrafadora da Coca-Cola, cerca de 4 quilômetros ao norte da linha invisível que separa Ontário do estado de Nova York.

Como metade de seus negócios vem dos EUA, a empresa agora considera se mudar. Seria uma reviravolta marcante para a Northern Cables, fundada em 1996 para manter a fabricação de cabos em Brockville, na província de Ontário, depois que uma empresa americana fechou sua fábrica na cidade e transferiu a produção para fora do Canadá .

Se as tarifas de Trump sobre uma ampla gama de produtos, incluindo cabos elétricos, entrarem em vigor em 19 de agosto, como está previsto, Shelley Bacon, CEO da empresa, disse que ele e o presidente da empresa, Todd Stafford, começarão a procurar uma fábrica nos EUA.

"Todd e eu vamos ter de ir até lá procurar um lugar", disse Bacon, sentado à mesa de uma sala de reuniões, onde pequenos trechos de cabos fabricados na unidade estavam expostos sob um tampo de vidro. "Há empregos demais em jogo aqui para simplesmente não fazermos nada."

A Northern Cables normalmente divide a produção de seus cabos elétricos blindados —que fornecem energia para tudo, de edifícios comerciais a minas subterrâneas— igualmente entre clientes canadenses e americanos.

Mas, para abastecer seus armazéns nos EUA, cerca de 80% dos cabos estão sendo fabricados conforme as normas elétricas americanas. Stafford estima que os armazéns americanos ficarão vazios dentro de duas a três semanas.

A Northern Cables, que tem 320 funcionários, não está sozinha. Uma pesquisa com 275 fabricantes, realizada pelo instituto Angus Reid para a KPMG, constatou que 29% haviam transferido parte ou toda a produção para os EUA desde que Trump iniciou sua guerra comercial com o Canadá.

Outros 13% consideravam fazer o mesmo. A pesquisa foi realizada em maio, antes de Trump anunciar suas mais recentes tarifas de 50%.

"Se a incerteza comercial e tarifária continuar e se o governo não se concentrar em alguns dos problemas estruturais que afetam a indústria no Canadá, esses fabricantes talvez não tenham alternativa a não ser começar a se transferir para os EUA", disse Anamika Gadia, líder nacional de mercados industriais da KPMG no Canadá. "Não é necessariamente o que desejam.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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