Prefeitura de SP aprovou planilha de ONG ligada a ‘Dark Horse’ que indica ponto de Wi-Fi em praia carioca
A Prefeitura de São Paulo validou documentos e planilhas de prestação de contas do programa WiFi Livre, da ONG Instituto Conhecer Brasil, o ICB, com informações contraditórias e erros nos endereços dos pontos de internet, inclusive apontando locais fora do município – como uma praia no Rio de Janeiro.
A entidade, que recebeu mais de R$ 100 milhões para fazer o serviço, é comandada por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os problemas identificados pelo Intercept Brasil apontam fragilidade na fiscalização dos aspectos técnicos do acordo, assinado em junho de 2024, pela gestão do prefeito Ricardo Nunes, do MDB.
As inconsistências incluem coordenadas geográficas que levam a outros municípios paulistas e até a outros estados, CEPs que não correspondem aos endereços descritos e milhares de equipamentos que, embora já registrados como ativos, aparecem com datas de instalação no futuro.
Coordenadas erradas: dados de latitude e longitude disponíveis na planilha apontam ponto de Wi-Fi na Ilha de Paquetá, no Rio, e não na no Conjunto Residencial José Bonifácio, em São Paulo Esses problemas afetam justamente as informações necessárias para acompanhar a execução do programa, voltado para promover o acesso à internet em regiões da periferia da capital, sob supervisão da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, a SMIT.
Não há como saber com precisão onde cada equipamento foi colocado, quando a instalação ocorreu e como está o funcionamento e a cobertura de cada ponto.
Os problemas comprometem a capacidade da prefeitura ou de qualquer outro órgão de fiscalizar o serviço – e o uso de dinheiro público – com base nos documentos apresentados pelo instituto.
O contrato do WiFi Livre já é alvo de mais de uma investigação.
No relatório que embasou uma operação determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino em 10 de setembro, a Polícia Federal afirmou ter encontrado indícios de uma triangulação financeira de ao menos R$ 6,1 milhões entre empresas e entidades ligadas à empresária Karina da Gama.
Em um relatório que veio a público poucos dias depois, quando Dino retirou o sigilo, a Polícia Civil de São Paulo disse ter identificado “consistentes suspeitas” de que recursos do programa WiFi Livre tenham sido desviados para custear a produção de “Dark Horse”.
Ambas as linhas de investigação colocam Karina como principal personagem dos esquemas.
Em resposta a questionamentos enviados pelo Intercept, a Prefeitura de São Paulo inicialmente pediu acesso às planilhas, ainda que elas tenham sido obtidas por nós em um processo administrativo da secretaria e em uma busca e apreensão dentro da pasta.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.intercept.com.br — o conteúdo pertence a Intercept Brasil.