Aumento dos pedidos de recuperação judicial acendem alerta para a economia brasileira
A recuperação judicial funciona, para as empresas, como uma UTI para pacientes em estado grave.
Ao suspender temporariamente a cobrança das dívidas, o instrumento oferece fôlego para que a companhia reorganize as finanças, negocie com os credores e continue funcionando.
Quando o quadro não é estabilizado a tempo, porém, o desfecho pode ser a falência.
Em três anos, a quantidade de empresas em recuperação judicial no Brasil cresceu 66%, atingindo o nível atual de 6 341.
Como se não bastasse, o país atingiu outra marca inquietante: 9,1 milhões de firmas não conseguem pagar suas contas em dia.
Juntas, elas acumularam 232 bilhões de reais em dívidas atrasadas.
As dificuldades se espalham por toda a economia, do comércio ao campo, passando pela indústria, pela construção e pelos transportes, e expõem a fragilidade de um país submetido a juros elevados.
O custo do dinheiro também agrava o endividamento das famílias, reduz o consumo e alimenta uma espiral perigosa: as vendas perdem força, o caixa das companhias encolhe e as dívidas se tornam mais difíceis de pagar.
As redes varejistas Casas Bahia e Lojas Marabraz estão entre as integrantes mais recentes dessa lista.
Ambas recorreram à Justiça para interromper o pagamento de dívidas e renegociá-las enquanto mantêm as operações.
A Casas Bahia acumula pendências de 17,3 bilhões de reais, enquanto a dívida da Marabraz chega a 140 milhões.
Antes de comunicar sua decisão ao mercado, a Casas Bahia já havia fechado quase 300 lojas e agora tenta levar adiante a demissão de cerca de 3 000 funcionários.
Os cortes foram suspensos pela Justiça do Trabalho na quarta-feira 19, com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal de que dispensas coletivas devem ser precedidas de negociação sindical.
Na Marabraz, a crise econômica foi agravada por uma disputa entre herdeiros da família Fares, fundadora da rede, que dificultou o acesso da empresa ao crédito.
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