‘A melhor forma de dizer que estamos com Fidel é derrotar a direita’, diz Stedile em lançamento de documentário do BdF
Para João Pedro Stedile, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a melhor homenagem ao legado de Fidel Castro não está em discursos, mas nas urnas. A declaração foi feita nesta quarta-feira (26) no lançamento oficial de “Fidel e Cuba Socialista – Queimar os Céus”, documentário do Brasil de Fato sobre o pensamento do líder cubano e os desafios atuais da Revolução, em evento na Livraria Expressão Popular, em São Paulo (SP).
“Qual é a melhor forma de dizer: estamos contigo? Não é simplesmente fazer luta. Isso qualquer pessoa poderia fazer. A nossa obrigação é derrotar a direita em toda a América Latina, começando aqui no Brasil dia 4 de outubro”, afirmou Stedile, referindo-se ao primeiro turno das eleições presidenciais deste ano.
O evento reuniu os diretores do documentário, Igor Carvalho e Rodrigo Chagas, além de Meylin Alfonso Gómez, representante do Consulado de Cuba em São Paulo. Entre o público, estavam o deputado estadual Eduardo Suplicy e o historiador Valerio Arcary. Ao final da mesa de debate, o público assistiu à exibição do filme.
Chagas, que conduziu a noite como mestre de cerimônias, destacou o impacto de mergulhar no pensamento de Fidel durante as filmagens. “Espero que vocês tenham o espírito revolucionário, com nosso ânimo revolucionário renovado no pensamento de Fidel. Mergulhar no pensamento de Fidel significou muito para nós, que tivemos a oportunidade de fazer o filme. E falar de Fidel Castro também fez brilhar o olhar de todos os cubanos e cubanas que entrevistamos, de diferentes faixas etárias, diferentes origens”, disse.
“Percebemos que não seria possível falar do centenário do Fidel sem falar da crise que a ilha atravessa nesse momento”, afirmou. Segundo ele, praticamente todas as pessoas entrevistadas mencionaram a ausência do líder cubano, morto em 2016. “Não houve uma só pessoa com quem conversamos que não acabou citando a ausência do Fidel […]. Talvez a presença dele hoje tornasse a negociação, a resistência, a organização do povo cubano ainda maior.”
Ao longo de 14 dias em Havana, a equipe registrou também as dificuldades cotidianas da crise energética — falta de eletricidade, cortes no fornecimento de água, dificuldade de locomoção. Entre os personagens do filme, Carvalho destacou Josué, de 25 anos, um dos responsáveis por pensar a transição energética em Cuba, e a visita ao Centro Fidel Castro, um dos poucos espaços autorizados a usar o nome do líder — já que uma determinação cubana, atendendo a um pedido do próprio Fidel, veta homenagens dessa natureza. “Solidariedade era o traço […] do legado do Fidel Castro que mais chamava a atenção”, relatou o diretor do Centro à equipe do documentário.
Meylin Alfonso Gómez, representante do Consulado de Cuba em São Paulo, agradeceu a solidariedade internacional num momento que classificou como de “forte genocídio” contra o povo cubano, em referência ao recrudescimento das sanções dos Estados Unidos.
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