O luxo do brasileiro virou ser dono do próprio tempo — e isso impulsiona o empreendedorismo
Há cerca de 25 anos, ter a carteira de trabalho assinada representava um dos maiores símbolos de proteção, segurança e status.
Era comum que mães orientassem os filhos a saírem de casa com o documento no bolso como uma prova de dignidade e cidadania.
De lá para cá, essa relação mudou — e o empreendedorismo ganhou força .
“Se antes o sonho da maioria dos brasileiros era ter uma casa própria, ter o primeiro carro ou viajar de avião pela primeira vez, hoje o luxo do brasileiro, o que o brasileiro considera dignidade, é ser dono do próprio tempo”, afirmou Renato Meirelles , presidente do Instituto Locomotiva , escritor e professor do IBMEC.
Ele participou do 2º Fórum Sicredi Empreender , realizado nesta quarta-feira (16), em São Paulo , e falou sobre como essa mudança de mentalidade está transformando o mercado de trabalho .
Trabalho deixou de ser sinônimo de emprego, e o empreendedorismo se destaca Para Meirelles, o novo comportamento mostra uma distância entre as estruturas tradicionais do mercado e o que a população passou a buscar.
“Trabalho não é mais sinônimo de emprego”, afirmou.
Hoje, o Brasil tem 29,8 milhões de empreendedores, segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) .
E há muita gente que ainda pretende entrar nesse grupo.
São 47 milhões de brasileiros que não têm um negócio, mas dizem querer abrir um nos próximos três anos.
Essa disposição para encontrar alternativas de renda também está ligada ao que Meirelles chama de “sevirômetro”: a capacidade intuitiva e criativa do brasileiro de buscar saídas quando as circunstâncias apertam.
Para as mulheres, o tempo pesa ainda mais A relação entre tempo e empreendedorismo também apareceu na fala de Renata Malheiros, coordenadora nacional do Sebrae Delas, durante o painel "Mulheres que transformam: empreendedorismo, impacto e geração de valor".
Segundo ela, é extremamente comum que mulheres deixem o mercado de trabalho tradicional depois da maternidade para buscar no empreendedorismo uma rotina mais flexível.
“A rotina corporativa presencial de oito horas torna-se insustentável para a mãe, já que o mercado tradicional não é receptivo às demandas de cuidado com uma criança, como levá-la ao médico ou dar atenção no dia a dia”, afirmou.
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