Lula x Flávio Bolsonaro: como a disputa presidencial e o nó fiscal vão ditar o rumo dos investimentos
As campanhas eleitorais começaram oficialmente e, com elas, a volatilidade tomou conta do mercado financeiro brasileiro.
Discursos sobre metas de gastos e oscilações nas pesquisas de intenção de voto costumam testar os nervos dos investidores.
Mas como exatamente a corrida presidencial impacta o seu bolso — e o que precisa acontecer para que o mercado engate uma melhora sustentável? As eleições e as finanças públicas caminham de mãos dadas neste período.
Segundo o analista da Empiricus Research, Matheus Spiess, o grande vetor de preocupação para os ativos brasileiros é a questão fiscal .
"O início de uma campanha eleitoral é, historicamente, muito estressante para o mercado brasileiro. [...] O eixo de transmissão para os ativos financeiros é o fiscal.
O estresse fiscal é realmente central, porque a gente sabe que estamos em meio a uma insustentabilidade dos gastos públicos", afirma.
O que é preciso para o mercado melhorar e quais são os riscos Para que haja uma reprecificação positiva dos ativos brasileiros — com queda do dólar , alta da bolsa e recuo dos juros —, Spiess diz que o mercado necessita de uma sinalização clara e crível de ajuste fiscal a partir de 2027, independentemente de quem ocupe a Presidência.
Atualmente, embora o país não enfrente uma crise imediata de financiamento, a combinação de déficit primário, taxa Selic elevada e trajetória ascendente da dívida pública mantém um prêmio de risco salgado sobre a economia.
Segundo o analista, um programa focado no controle rigoroso das despesas públicas reduziria o prêmio de risco-país, abrindo espaço para o Banco Central cortar juros, atualmente em 14% ao ano, e aliviar o custo do crédito em toda a economia.
Por outro lado, os riscos para os investimentos dividem-se em frentes fiscais e estruturais.
O descumprimento de metas fiscais ou a expansão descontrolada de gastos provocam desancoragem da inflação, fuga de capital estrangeiro e necessidade de juros altos por mais tempo.
Aliás, essa incerteza já levou casas de análise internacionais a tiraram o Brasil da posição de compra , gerando saída recorde de investidores estrangeiros.
"Os estímulos fiscais do governo funcionaram como esteroides para a economia, só que esses esteroides têm validade", diz Spiess.
Com a perda do efeito dessas medidas e a manutenção do aperto monetário, o analista chama atenção para o fato de a economia já dar sinais de desaceleração.
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