Justiça torna réus 7 PMs por morte de agricultor com tiros de fuzil no RS
A Justiça do Rio Grande do Sul tornou sete policiais militares réus pela morte do agricultor Marcos Nörnberg, 48, durante uma operação da Brigada Militar em janeiro, em Pelotas (RS).
O juiz Régis Adriano Vanzin, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Pelotas, recebeu a denúncia do Ministério Público hoje. Com a abertura da ação penal, começa a fase de instrução do processo. A denúncia havia sido apresentada ao Judiciário na sexta-feira (23).
Os sete policiais vão responder por homicídio qualificado e por tentativa de homicídio qualificado contra a esposa da vítima. A acusação aponta as qualificadoras de uso de recurso que dificultou as defesas das vítimas e uso de armas de fogo de uso restrito. O nome dos réus não foram divulgados pela Justiça.
Na decisão, o magistrado afirmou que a denúncia cumpre os requisitos para seguir com a ação penal e que há indícios suficientes de crime e de autoria. A partir daqui, o processo entra na etapa de produção de provas e oitiva de envolvidos.
Promotor responsável pelo caso, Frederico Carlos Lang afirmou que três dos denunciados participaram da identificação do local e quatro atuaram diretamente na ação. Conforme a denúncia, os policiais entraram na propriedade depois de indicarem de forma equivocada o endereço que seria alvo da diligência. Para o promotor, "as vítimas foram surpreendidas e atacadas durante a madrugada, no interior da residência, sem possibilidade de reação eficaz ou fuga", disse Lang.
Investigação apontou que o agricultor foi atingido por oito disparos de fuzil de uso restrito durante a operação, em 15 de janeiro. A esposa dele sobreviveu aos tiros, segundo o Ministério Público. Não há informações se os PMs denunciados respondem ao processo em liberdade.
Marcos Nörnberg foi morto na madrugada de 15 de janeiro, dentro de casa, na zona rural de Pelotas. A morte ocorreu durante uma operação policial da Brigada Militar, de acordo com o TJRS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul).
Investigação indicou que a operação buscava suspeitos de integrar um grupo investigado por roubos, após informações obtidas com presos no Paraná. A investigação concluiu que houve uma falha técnica grave na identificação da propriedade rural que seria alvo da ação. Ao todo, 25 agentes foram investigados no inquérito.
Policiais chegaram ao endereço da família Nörnberg, na localidade da Cascata, no interior de Pelotas, e atiraram durante a diligência. A Polícia Civil apontou que Marcos Daniel Nörnberg levou oito tiros.
Inquérito também concluiu que a versão de legítima defesa apresentada pelos envolvidos não tem respaldo nos elementos reunidos. Como os nomes dos PMs não foram divulgados pelas autoridades, a reportagem não conseguiu localizar a defesa deles para pedidos de posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.
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