Uso de anabolizantes traz riscos graves à saúde, alertam especialistas
A busca por ganho muscular rápido e definição corporal tem levado muitas pessoas ao uso de anabolizantes sem indicação médica. Influenciadores, vídeos de transformação e discursos que vendem a ideia de controle dos riscos alimentam essa prática. Mas, ao contrário do que é repetido nas redes sociais, esse tipo de estratégia pode custar caro para a saúde.
"Os anabolizantes, quando utilizados em doses elevadas e sem indicação médica adequada, não atuam apenas sobre os músculos aparentes, mas sim em todos os tecidos sensíveis à ação hormonal, incluindo vasos sanguíneos, rins e coração, por exemplo. E o grande perigo é que é uma agressão silenciosa", afirma o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo, pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações.
Alguns estudos recentes também mostraram que o uso pode comprometer de forma semipermanente a produção de testosterona nos testículos, causando uma disfunção testicular. Nas mulheres, os anabolizantes inibem a produção dos hormônios que regulam o ciclo menstrual, como o FSH e o LH.
"Com isso, o organismo pode parar de ovular e a mulher deixar de menstruar por meses ou até anos. Esse quadro é reversível em alguns casos, mas, quanto maior o tempo de uso e a dose, maior o risco de danos duradouros", comenta o médico. Além disso, os anabolizantes podem afetar a qualidade dos óvulos, causar alterações morfológicas nos ovários e até favorecer o surgimento de cistos.
Por uma série de mecanismos bioquímicos complexos, o uso de anabolizantes pode favorecer um crescimento patológico do músculo cardíaco, especialmente do ventrículo esquerdo. "Diferente da hipertrofia fisiológica induzida pelo exercício aeróbico saudável, isso torna o coração mais espesso, rígido e menos eficiente. Além disso, ocorre morte programada das células musculares cardíacas e surgimento de fibrose no espaço deixado", diz o Dr. Maurizio Pupo.
Essas alterações podem favorecer diferentes complicações cardiovasculares, incluindo quadros de cardiomiopatia, arritmias, insuficiência cardíaca e morte súbita. Segundo a Dra.
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