Inteligência artificial atua como ‘camaleão ideológico’ e pode aprofundar polarização política, aponta estudo
Enquanto não existem soluções técnicas consolidadas, uma medida prática é o próprio usuário solicitar respostas mais equilibradas, diz pesquisador ( imagem: Shutterstock )
Pesquisadores avaliaram 21 modelos de linguagem, como GPT e Gemini, e descobriram que todos alteram seu discurso para concordar com o viés do usuário, podendo funcionar como câmaras de eco
Pesquisadores avaliaram 21 modelos de linguagem, como GPT e Gemini, e descobriram que todos alteram seu discurso para concordar com o viés do usuário, podendo funcionar como câmaras de eco
Enquanto não existem soluções técnicas consolidadas, uma medida prática é o próprio usuário solicitar respostas mais equilibradas, diz pesquisador ( imagem: Shutterstock )
Sophia La Banca | Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) avaliaram o posicionamento ideológico de grandes modelos de linguagem – sistemas de inteligência artificial treinados para compreender e gerar textos em linguagem humana – e constataram que, quando são informados do posicionamento político do usuário, todos possuem a tendência de reproduzir sua visão política. Segundo eles, esse comportamento pode aprofundar o cenário de polarização política no país.
A influência política dessas ferramentas não precisa se dar diretamente, por meio da sugestão de voto em determinados candidatos. Zanoni Dias , professor titular do Instituto de Computação (IC-Unicamp), destaca que, ao responder sobre assuntos controversos – como segurança pública, bem-estar social, economia e meio ambiente –, os modelos podem adotar enquadramentos alinhados ao posicionamento político do usuário.
Para entender como essas ferramentas se posicionam e como podem influenciar o debate político brasileiro, os cientistas avaliaram 21 modelos de linguagem em três condições: sem informação sobre o posicionamento do usuário, com um usuário alinhado à esquerda e com um usuário alinhado à direita. Entre os sistemas avaliados estavam modelos das famílias GPT, Grok, Llama, Gemini e Gemma. Os resultados mostraram que todos alteraram, em diferentes graus, suas respostas na direção do alinhamento político do usuário.
O estudo foi financiado pela FAPESP e publicado em maio na revista Scientific Reports .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.