Na terra do Sambarilove, quem manda é o novo “01”
O candidato ao governo do Rio, Eduardo Paes (PSD), sofreu nova derrota no pleito estadual, revelando pouca penetração na Baixada, nos municípios empobrecidos do Leste Metropolitano e em boa parte do interior do estado.
Douglas Ruas (PL) — que, como policial civil, esteve três anos na força sem histórico de grandes operações ou prisões de vulto — já vai para a “cadeia” no Palácio Guanabara trazendo uma complexa investigação de evolução patrimonial nas costas.
Os inocentes da Zona Sul Seria impossível vencer o nexo político-criminal sem um esquema forte nas ruas; menos ainda contar apenas com a tendência de voto de trabalhadores de famílias nordestinas que vivem em áreas de conflito dominadas e predispostos a votar em Lula — e, por tabela, no ex-prefeito do Rio.
A coligação para o governo do estado contabilizou o impacto da abstenção gerada pela transferência de sessões eleitorais? Teve acompanhamento junto ao TRE-RJ? Como alguém quer fazer política no Rio de Janeiro sem se preparar para enfrentar todo tipo de baixaria e jogo “fora das quatro linhas”? Achou mesmo que barraria a mutreta no Tapetão? O recurso no STF não prosperou, e a manobra dos votos de pilantragem do elemento que atende pelo vulgo de “Garotinho” acabou carimbando a vitória do filho do suspeito de integrar milícias e paramilitarismo em São Gonçalo.
Aliás, Garotinho cumpriu muito bem o seu papel como o “laranja” oficial desta eleição, dando o sumo necessário para mais uma vitória do grupo especializado em gerir as máfias fluminenses.
A jogada jurídica e eleitoral — com a manutenção sub judice do registro da candidatura de Garotinho — fez com que, após a anulação de seus votos pelo TSE, houvesse o rebaixamento do piso de votos válidos, elevando o percentual do candidato do PL acima dos 50%.
A derradeira carta na manga do grupo que detém o poder no estado.
Isso só mostra que, em terras fluminenses, a figura do governador deixou de existir há tempos: tornou-se o de mero gestor do crime organizado.
Pois é, uma verdadeira democracia do crime! Assembleia ou cartel? Se algo “consola”, é saber que o novo “01”, a depender do resultado das eleições presidenciais, tende a ter um destino similar ao de seus antecessores — ou até pior, a exemplo do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar.
Ruas exibe uma acumulação patrimonial em níveis absurdamente maiores do que seu ingresso e renda declarada, ponto que já é alvo de investigação.
Já começa bem o novo “Presida” do parlamento, casa que, segundo a Polícia Federal na atual legislatura que se encerra, tem ao menos 35 dos seus 70 deputados e deputadas relacionados ao crime organizado.
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