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Reino Unido precisa de uma estratégia econômica coerente; Healey será capaz de entregá-la?

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Reino Unido precisa de uma estratégia econômica coerente; Healey será capaz de entregá-la?

Comentarista-chefe de economia no Financial Times, doutor em economia pela London School of Economics

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O que se deve esperar do Orçamento do ministro das Finanças, John Healey? Uma resposta simples é que o mundo precisa acreditar que o Reino Unido está firmemente nas mãos de pessoas responsáveis. Ainda assim, talvez ingenuamente, espero algo mais: o Reino Unido precisa desesperadamente de uma estratégia econômica coerente. Como argumentei na semana passada, a nostalgia pelo período anterior a Margaret Thatcher não constitui uma estratégia. Então, como seria uma abordagem sensata?

O ponto de partida deve ser o reconhecimento das restrições. Duas delas —uma interna e outra internacional— são fundamentais.

A restrição interna é o envelhecimento da população britânica, tendência que a hostilidade à imigração tende a agravar. Mantidas as demais condições, isso provavelmente aumentará a pressão sobre os gastos públicos e as contas do governo, além de desacelerar o crescimento econômico por habitante. Meu colega Tej Parikh observou esse problema no artigo "A Grã-Bretanha precisa de uma economia da motosserra", destacando, em particular, a perspectiva de aumento dos déficits fiscais e da dívida no longo prazo caso as políticas atuais sejam mantidas.

A restrição internacional decorre de uma profunda transformação na política global, marcada pelo aumento das tensões. Entre outros fatores, as grandes potências estão agindo de maneira mais errática e, nos piores casos, usando as dependências de outros países como instrumento de pressão. Mas a situação é ainda pior: a vizinhança do Reino Unido também é mais ameaçadora do que era há cerca de duas décadas.

Em seu trabalho de conclusão para a Bolsa Heywood Fellowship, Jenny Bates define parte da resposta necessária a essas realidades como "construir uma abertura segura". Para o Reino Unido, não há alternativa: a autarquia é inviável. Isso exige pensar sobre os riscos e sobre como administrá-los de maneira muito mais sistemática do que no passado, seja por conta própria, seja em parceria com outros países. O mesmo vale para as empresas e o governo. A segurança nunca pode ser garantida. Mas o Reino Unido precisa se empenhar para construí-la, sem abrir mão da abertura econômica.

Mais importante ainda do que as restrições é o objetivo. Ele deve ser acelerar o crescimento econômico. O crescimento não é tudo, mas é uma condição necessária para quase tudo. Ele torna muito mais fácil oferecer a praticamente todos ao menos a perspectiva de uma vida melhor. Isso cria a possibilidade de uma "economia de soma positiva" e, consequentemente, de uma "política de soma positiva". Sem crescimento, a política inevitavelmente se transforma em um conflito desgastante entre classes, gerações e grupos étnicos. É o que vemos no Reino Unido —assim como em outros lugares.

Infelizmente, o histórico britânico de crescimento é bastante ruim, apesar da recente revisão para cima do desempenho da produtividade.

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