Rota do Ártico vira corredor de gás russo para a China
O gelo ainda estava espesso sobre as águas quando o imponente navio-tanque Christophe de Margerie partiu na primeira viagem da temporada pela Rota do Mar do Norte, no final de maio.
O navio havia acabado de fazer uma parada em um porto conectado ao Arctic LNG-2, uma instalação de gás natural liquefeito sancionada pelos EUA, localizada no fundo do Ártico russo, conforme mostram dados de navegação.
De lá, guiado na maior parte do trajeto por um quebra-gelo, o navio-tanque avançou pesadamente por milhares de milhas pelas águas do Ártico e pelo Mar de Bering.
Leia Mais Tesla avalia apresentar novo "carro voador" do modelo Roadster, diz portal 56% das horas trabalhadas no Brasil poderiam ser automatizadas, diz estudo Disney surpreende com resultados e ações sobem após balanço A viagem de aproximadamente duas semanas terminou na Península de Kamchatka, no Extremo Oriente russo, onde o navio-tanque adentrou uma baía isolada que já foi sede de um assentamento militar soviético.
Lá, imagens de satélite analisadas pela CNN mostram o Christophe de Margerie encostado a uma grande unidade flutuante de armazenamento, em uma formação típica de transferências de carga entre navios.
O navio-tanque aparentemente descarregou sua carga vetada na unidade antes de iniciar o retorno ao Ártico, conforme indicam dados do Marine Traffic.
Bloqueada por gelo intransponível durante grande parte do ano e navegável sem quebra-gelos apenas em uma curta janela de verão, a Rota do Mar do Norte (NSR, na sigla em inglês), controlada por Moscou, é uma artéria controversa que corta uma região cada vez mais vista como um novo palco de rivalidade entre as grandes potências.
Uma análise da CNN sobre dados de navegação compilados pelo Centre for High North Logistics, com sede na Noruega, mostra que, desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, o trânsito internacional pela rota tem sido dominado pelo comércio com um único ator estrangeiro: a China.
O comércio — que sustenta a economia russa em tempo de guerra e reforça a segurança energética da China — ocorre em paralelo à expansão das operações de navegação chinesas na área e à crescente preocupação no Ocidente de que a presença da China na região possa prenunciar um uso militar futuro.
Um dia após a partida do Christophe de Margerie da Península de Kamchatka, um segundo navio-tanque sancionado pelos EUA — o Arctic Mulan — chegou à entrada da mesma baía.
Ele permaneceu na área por vários dias antes de ser rebocado até a mesma unidade flutuante de armazenamento, onde desligou seu dispositivo de rastreamento por cerca de um dia, conforme mostram dados de transponder.
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