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O cansaço da cidadania

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O cansaço da cidadania

Já há um severo cansaço da cidadania brasileira.

O entendimento coletivo sobre os acontecimentos recentes, em todos os níveis das instituições brasileiras, não mais deixa margem para acreditar em uma sociedade limpa, correta, de acreditar no desenvolvimento nacional, no progresso de um país com altruísmo, fé e esperança de um lugar mais equitativo, mais justo, menos desigual.

Sinceramente, a esperança dos cidadãos no seu país cansou.

A cidadania está intimamente ligada a deveres e direitos, seria preciso conjugar os deveres de igualdade e liberdade com justiça, mas também com solidariedade.

Porém, o atual descrédito nos tribunais, nos parlamentos, na política e nos desmandos, ferindo a ética e a moral, faz com que não reste esperança, reste apenas a tristeza, o desânimo e a descrença que algo pode mudar para melhor.

O conceito de cidadania implica o exercício efetivo dos direitos civis para todos os cidadãos, com direitos e deveres idênticos, em oportunidades e acessos às instituições disponibilizados pelo Estado.

Quando alguém que sente fome observa que, quem deveria guardar a Constituição Soberana, eles próprios, aparecem envolvidos, com seus parentes, em contratos de milhões e milhões de reais, esse alguém perde a esperança, perde o destino e refuta a Pátria.

Dizem que R$ 130 milhões comprometendo o maior gângster, que produziu o maior desfalque do sistema bancário nacional, não são ilegais; dizem, também, que o envolvimento com contratos de R$ 470 milhões – caso o Banco Master tivesse obtido voto favorável do resgate de precatórios, que renderiam a Vorcaro R$ 8,5 bilhões – não é ilegal.

O que é então? Um jovem recém-formado, de 25 anos, filho de um ministro do STF, já detém R$ 27 milhões no sistema financeiro.

A BBC News Brasil identificou que, ao menos, 12 parentes de oito ministros da Corte estão cadastrados como advogados em ações no tribunal: Dias Toffoli, Nunes Marques, Luiz Fux, Edson Fachin, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Isso não significa, necessariamente, que todos sejam responsáveis pela defesa dos casos, pois há processos em que vários advogados assinam a petição, inclusive os que atuaram em instâncias inferiores, mas não no recurso ao Supremo.

A reportagem foi publicada no dia 26 de janeiro.

De qualquer forma, uma grande reforma do Estado Nacional é urgente.

Diante de tantas imoralidades afloradas dessas tumbas de negociatas, em todos os níveis, do Poder Judiciário, do Legislativo e do Executivo, faz-se mister a convocação de uma grande consulta popular, para que, definitivamente, as togas, as leis e a caneta não favoreçam mais pessoas específicas, mas todos os cidadãos. *João Vicente Goulart é presidente do Instituto João Goulart (IPG).

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