Como o 'rei dos ônibus' criou um império de R$ 19 bilhões vendendo bem mais do que passagem
Kaumer Chieppe, da Águia Branca: "A gente vai estar sempre atento às oportunidades, e a cultura nossa é de crescimento com qualidade" (Grupo Águia Branca/Divulgação)
O avô de Kaumer Chieppe comprava café no interior do Espírito Santo e vendia em Colatina, uma cidade de 130 mil habitantes a 130 quilômetros de Vitória. O transporte era feito no lombo de burro. Em algum momento, o burro virou caminhão de entrega. Depois, o caminhão virou ônibus.
Esse ônibus deu origem ao Grupo Águia Branca , hoje um dos maiores conglomerados empresariais do país. A companhia opera em três frentes: transporte de passageiros , logística e comércio de veículos.
São 20.563 funcionários , 114 concessionárias espalhadas pelo Brasil e faturamento de 19,4 bilhões de reais em 2025 . A sede hoje se mudou para a capital Vitória.
O grupo completa 80 anos em 2026 em meio a outra virada . Kaumer Chieppe deixa a presidência no fim deste ano , depois de um mandato de quatro anos, enquanto a companhia tenta sustentar um ritmo de crescimento que levou o faturamento de R$ 5,9 bilhões em 2018 para R$ 19,4 bilhões de reais no ano passado.
“Hoje os dois negócios maiores são a logística, que tem o maior volume de funcionários e funciona com ônibus e frete, e as concessionárias do Grupo Águia Branca, que, por sua vez, têm a maior receita”, diz Chieppe.
É uma mudança e tanto para uma companhia cujo nome ainda é associado principalmente aos ônibus . Mas as linhas regulares de passageiros representam hoje menos de 10% da receita.
Para os próximos anos, o grupo estuda aquisições em logística e concessionárias e tenta crescer sem perder o controle de uma estrutura que se espalhou por centenas de bases e diferentes negócios.
A mãe do avô paterno de Kaumer morreu ao dar à luz. O pai voltou a casar, com uma irmã da falecida, e teve mais dez filhos . A tradição da família era juntar dinheiro, comprar um terreno para o filho quando ele casasse e deixá-lo seguir a vida . O avô de Kaumer viu isso acontecer com todos os irmãos e foi o último a sair de casa.
Quando saiu, dividiu a aposta. Manteve um pé na roça , que conhecia, e outro no comércio de café . Comprava no interior, vendia em Colatina e ficava com a diferença — na prática, um frete . Do lombo de burro passou ao caminhão. Do caminhão, comprou também um ônibus. Mas não sabia o que fazer com ele.
A solução veio de Governador Valadares, em Minas Gerais , onde morava o avô materno de Kaumer, compadre do avô paterno. Ele avisou que a cidade precisava de transporte de passageiros e que ninguém estava atendendo.
O ônibus foi mandado para lá, um motorista de praça foi contratado e o filho mais velho da família assumiu como cobrador. A operação funcionou por dois anos, até uma concorrente registrar a linha oficialmente.
A família voltou para o Espírito Santo em 1948 e recomeçou a operar por lá, agora com atenção redobrada à documentação das concessões.
O crescimento seguinte foi lento. A virada veio em 1970 . O grupo tinha 35 ônibus e comprou uma empresa do mesmo tamanho, chegando a 70. No mesmo ano, adquiriu outra companhia com mais 70 veículos e fechou o período com cerca de 140 ônibus .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.