Grupo paulistano tenta salvar sede cultural ameaçada em Heliópolis
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Com uma trajetória consolidada de 15 anos na cena paulistana, o coletivo Impacto Agasias enfrenta a sua mais severa encruzilhada de sobrevivência. A Casa Cultural Alcântara Sampaio, inaugurada pelo grupo em 2021 no bairro de São João Clímaco, na região de Heliópolis , corre o risco iminente de encerrar as atividades em definitivo até o final de setembro de 2026.
O caso expõe um gargalo crônico que asfixia o teatro de grupo periférico na capital: a dependência de mecanismos de fomento submetidos a sucessivos atrasos e lentidão administrativa do poder público , combinada à resistência do circuito hegemônico em ultrapassar as fronteiras do centro expandido.
Desde novembro do ano passado, o espaço opera sem recursos provenientes de editais públicos. Para manter as portas abertas e honrar um custo fixo que gira em torno de R$ 6 mil por mês —valor restrito a despesas básicas de infraestrutura, como aluguel, luz, água e internet—, os gestores do espaço vêm cobrindo os déficits com trabalhos paralelos, cachês de apresentações fora do território e reservas pessoais.
"É como se, neste momento, o Impacto Agasias precisasse trabalhar para sustentar não apenas o próprio grupo, mas também a Casa Cultural. Isso significa trabalhar o dobro, ao mesmo tempo em que cada um de nós continua tendo suas necessidades e despesas pessoais", explica Henrique Sanchez, lembrando que o trio de artistas já precisou adiar contas domésticas próprias para priorizar as obrigações da sede.
A permanência no imóvel está assegurada apenas até setembro graças a uma reserva financeira emergencial. A partir de outubro, no entanto, a manutenção da sede torna-se inviável sem novos aportes. O grupo relata que a asfixia decorre diretamente da morosidade nas esferas municipal e estadual, onde processos se arrastam com justificativas vagas sobre sobrecarga burocrática e carência de funcionários.
Lucas Becerra destaca que existe uma ilusão recorrente sobre a dinâmica do fomento público: "Como já fomos contemplados por editais importantes, como o Fomento ao Teatro e o Fomento à Cultura da Periferia , parece existir uma ideia de que deveríamos ter alcançado uma espécie de autossuficiência. Só que política pública cultural não funciona assim. Você recebe um recurso para executar determinado projeto, cumpre o plano de trabalho, realiza as contrapartidas e encerra aquele projeto. Isso não transforma automaticamente um grupo cultural em uma empresa com receita permanente".
Além do estrangulamento financeiro e do vácuo deixado por promessas parlamentares que não avançaram após períodos eleitorais, o coletivo denuncia o abismo entre a retórica acadêmica e a prática cotidiana do meio artístico. Durante a temporada de 24 apresentações gratuitas do espetáculo "Programa Akáshico", realizada em 2025, o grupo realizou um esforço coordenado para convidar críticos, jurados de premiações e formadores de opinião.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.