Pesquisadores criam ‘vacina inteligente’ e mais segura contra chikungunya
Formulação ainda é experimental e foi testada em camundongos ( imagem: Shutterstock )
Estratégia desenvolvida por cientistas da USP e colaboradores utiliza vírus geneticamente modificado que se replica apenas uma vez no organismo. Tecnologia poderá ser adaptada contra zika, febre amarela e COVID-19
Estratégia desenvolvida por cientistas da USP e colaboradores utiliza vírus geneticamente modificado que se replica apenas uma vez no organismo. Tecnologia poderá ser adaptada contra zika, febre amarela e COVID-19
Formulação ainda é experimental e foi testada em camundongos ( imagem: Shutterstock )
Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e colaboradores alemães desenvolveram uma estratégia inovadora para a produção de vacinas. Em artigo publicado na revista npj Vaccines , o grupo apresenta a criação de um “imunizante inteligente” a partir de uma versão geneticamente modificada do vírus chikungunya. A grande vantagem dessa tecnologia é que o patógeno só consegue se replicar uma vez no organismo – o estímulo exato e seguro para treinar o sistema imune a gerar anticorpos, sem apresentar riscos de causar a doença.
Nos testes iniciais feitos em camundongos, uma única dose da formulação foi capaz de proteger os roedores. Mais do que uma solução promissora contra o chikungunya, os resultados abrem caminho para a consolidação de uma nova plataforma vacinal, cuja base tecnológica poderá ser adaptada para o combate a outras doenças no futuro.
“A ideia foi criar um vírus que entra na célula e ativa o sistema imune, mas é fisicamente incapaz de se tornar infeccioso. Assim, o imunizado não apresenta sintomas nem corre o risco de desenvolver a doença. Isso é importante, pois permite uma proteção robusta sem risco de efeitos colaterais, ampliando o uso também para pessoas imunossuprimidas e idosos”, explica Danillo Lucas Alves Esposito , pesquisador da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP) e primeiro autor do estudo.
A investigação recebeu apoio da FAPESP por meio de três projetos ( 17/19137-7 , 18/11939-0 e 23/09619-5 ) e foi conduzida em parceria com uma equipe da Universidade de Bonn (Alemanha).
Tradicionalmente, as vacinas são produzidas para treinar o sistema imune a partir de vírus atenuados (enfraquecidos por meio de mutações genéticas) ou inativados (incapazes de se replicar). Mais recentemente, a ciência desenvolveu tecnologias que dispensam o uso do patógeno inteiro. Surgiram assim as vacinas de subunidades proteicas (feitas apenas com fragmentos isolados do vírus), as recombinantes (que utilizam proteínas virais produzidas artificialmente em laboratório), as conjugadas (que unem um pedaço do patógeno a uma proteína mais forte para potencializar a resposta imune) e as de vetor viral (que usam um vírus inofensivo como “veículo” de entrega do antígeno).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.