Livro revisita a história da geografia a partir da dimensão racial
A obra pode ser adquirida aqui ( imagem: Consequência Editora/catálogo )
Coletânea organizada pelo professor da Unesp Guilherme dos Santos Claudino recupera a contribuição de geógrafos africanos e negros invisibilizados pela historiografia e reexamina criticamente a presença do conceito de raça na formação da disciplina
Coletânea organizada pelo professor da Unesp Guilherme dos Santos Claudino recupera a contribuição de geógrafos africanos e negros invisibilizados pela historiografia e reexamina criticamente a presença do conceito de raça na formação da disciplina
A obra pode ser adquirida aqui ( imagem: Consequência Editora/catálogo )
José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – Quem conta a história da geografia costuma começar pela Europa. A sucessão de nomes é conhecida: Immanuel Kant, Alexander von Humboldt, Friedrich Ratzel, Paul Vidal de La Blache e outros pensadores que moldaram a disciplina entre os séculos 18 e 20. Mas o que aconteceria se essa narrativa fosse reorganizada a partir de outro ponto de vista? E, em vez dos autores citados, o percurso tivesse início com geógrafos africanos, afro-diaspóricos e brasileiros negros cujas contribuições permaneceram à margem da historiografia durante décadas?
Essa é a proposta de A dimensão racial na história do pensamento geográfico: Constelações Orí e nervuras da raça , coletânea organizada pelo geógrafo Guilherme dos Santos Claudino , professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Presidente Prudente, que reúne pesquisadores do Brasil, da África, da Europa e dos Estados Unidos. Ao longo de 33 capítulos, distribuídos em 782 páginas, a obra realiza um duplo movimento: recupera tradições intelectuais pouco conhecidas e revisita criticamente o papel desempenhado pela categoria raça na formação do pensamento geográfico moderno.
O livro, publicado pela Consequência Editora, é o primeiro resultado do projeto “ Pensamento geográfico negro: Vozes e trajetórias negras na história do pensamento geográfico no século 20 ”, financiado pela FAPESP.
“O meu desejo inicial era fazer um livro tentando entender o que esses geógrafos europeus pensavam sobre a questão racial. Mas, no percurso da pesquisa, comecei a procurar geógrafos negros para além de Milton Santos [1926-2001] e me deparei com um universo extremamente rico, principalmente de autores africanos praticamente desconhecidos por nós”, diz Claudino.
A descoberta acabou modificando completamente a arquitetura da obra. “Olhei para o esqueleto do livro e pensei: ‘Acho que seria interessante ousar um pouco mais’. E inverti a ordem”, afirma. Em vez de dedicar um capítulo aos geógrafos negros depois de percorrer os autores clássicos europeus, Claudino decidiu iniciar justamente por aqueles que haviam sido historicamente secundarizados. A primeira parte da coletânea, intitulada “Constelações Orí”, reúne estudos sobre a formação da geografia em países como Nigéria, Gana, Moçambique, África do Sul e São Tomé e Príncipe, ao mesmo tempo em que recupera trajetórias de intelectuais negros do Brasil e dos Estados Unidos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.