Augusto Cury é perfeito para os idiotas do universo coaching
O médico Augusto Cury escreve – e vende bastante – livros de autoajuda.
Sim, talvez não tão rasos quanto a maioria do gênero, pois calcados na sua experiência como psicoterapeuta.
Não há registros de contribuições acadêmicas relevantes dele para a medicina psiquiátrica.
Talvez não seja tão charlatão quanto seus congêneres, mas integra um amplo rol de profissionais que enriquecem comercializando receitas de felicidade, o que sempre exala odor de picaretagem.
Como candidato a presidente, é mesmo isto: um vendedor de sonhos alheio aos mecanismos constitucionais disponíveis para implementação de mudanças e simpático aos mantras liberais de pouco Estado, empreendedorismo individual etc e tal.
Vê-lo na sabatina da Globo foi presenciar um neófito tentando demonstrar indignação com as duras verdades nacionais.
Soou bastante falso.
Cury não tem consistência, é desprovido de conhecimento dos funcionamentos da administração pública.
Imagina soluções mirabolantes para problemas históricos que só serão vencidos quando a elite do atraso perder sua influência argentária – não há outra forma.
Seu salto nas pesquisas só revela a suscetibilidade de parte do eleitorado a pregadores vazios, como demonstrou recentemente a significativa votação de Pablo Marçal na eleição municipal paulistana.
Já sua explosão digital exige investigação pela Justiça Eleitoral.
Como Marçal, Augusto Cury integra o oco “universo coaching”, que abriga uma multidão de cidadãos dispostos a se apegar a qualquer coisa que lhes dê algum grau de conforto espiritual e esperança de prosperidade.
O movimento da extrema-direita global para emparedar pensadores legítimos já conseguiu importantes vitórias mundo afora, e teve em Olavo de Carvalho seu mais estridente porta-voz.
Em paralelo, abre espaço para enganadores como Pablo Marçal e escritores-vendedores de felicidade como Augusto Cury.
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