Lula menosprezou garis? Veja a íntegra da fala distorcida por Nikolas Ferreira
Um vídeo recortado de um discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a ser utilizado nas redes sociais para sustentar a acusação de que o presidente teria menosprezado garis e trabalhadores responsáveis pela coleta de lixo.
A gravação foi compartilhada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e por outros integrantes da oposição.
O conteúdo divulgado, no entanto, está fora de contexto.
Veículos de imprensa e agências de checagem apontaram que o trecho publicado nas redes sociais omite a sequência do discurso, na qual Lula fala sobre a invisibilidade social dos trabalhadores pobres, destaca a importância dos profissionais da limpeza urbana e defende investimentos em educação.
A declaração ocorreu durante o ato “ Mulheres com Lula ”, realizado em Belo Horizonte (MG) .
O trecho que circulou nas redes foi extraído de uma fala mais extensa do presidente.
O trecho que circulou nas redes Na versão compartilhada por opositores, Lula aparece dizendo: “Quando eu passo na rua, eu vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo… É uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho: ‘Eu sou lixeiro’.
Ninguém fala ‘O cara é catador em Valadares’, ‘Eu sou engenheiro’, ‘Eu sou médico’… Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pode estudar.” Isolada, a declaração pode dar a impressão de que o presidente estava classificando o trabalho dos garis como inferior.
O vídeo integral, entretanto, apresenta uma sequência na qual Lula muda o foco para a forma como trabalhadores pobres são tratados socialmente.
O que Lula disse na sequência Depois do trecho compartilhado nas redes, Lula argumenta que a importância dos trabalhadores da coleta de lixo costuma ser percebida justamente quando o serviço deixa de ser realizado.
O presidente afirma que, caso esses profissionais parem de trabalhar durante alguns dias, a população rapidamente perceberá a dimensão de sua importância para o funcionamento das cidades.
Na sequência, Lula aborda a maneira como pessoas pobres são vistas socialmente.
Segundo ele, “o pobre é tratado como se fosse invisível”.
O discurso então passa a tratar da educação como instrumento de transformação social.
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