O botão de pânico na Faria Lima após a vitória de Lula
O Ibovespa vai derreter nesta segunda-feira.
O EWZ, fundo que representa as ações brasileiras em Nova York, despenca 26% neste começo de pregão , após a vitória de Lula para um quarto mandato presidencial.
Dizer que a bolsa brasileira terá circuit breaker, quando o pregão é paralisado para conter quedas, é uma previsão mais certeira do que as feitas pelo mercado financeiro até sábado, sobre quem venceria a corrida presidencial.
Investidores fizeram campanha ativa por Flávio Bolsonaro , sob o argumento de que o candidato do PL estaria mais comprometido com o ajuste das contas públicas, isso apesar da ausência de um plano de governo factível nesta direção (e qualquer outra também).
Quando Flávio terminou o primeiro turno à frente, o Ibovespa disparou, enquanto dólar e juros futuros caíram.
É o jeito que o mercado financeiro tem de tentar influenciar decisões.
E aqui não é exagero.
Dólar baixo significa importações a preços menores e, por consequência, inflação controlada.
Juros em queda tornam o financiamento de longo prazo mais barato, isso enquanto a bolsa em alta infla preços dos ativos e eleva a sensação de riqueza.
Dá para dizer que, assim como Flávio Bolsonaro, que chegou a discutir formação de governo após o primeiro turno, como já estivesse eleito, a Faria Lima também comemorava a vitória antes da hora .
Entre o primeiro e o segundo turno, o Ibovespa acumulou alta de mais de 6%.
E agora o mercado financeiro precisará lidar com as consequências desse erro de cálculo.
Continua após a publicidade Também é plausível afirmar que parte do derretimento dos ativos nesta segunda também vem do desrespeito às regras do jogo do lado de Flávio Bolsonaro.
Se o não reconhecimento do resultado por parte do candidato do PL gerar insegurança jurídica e, por consequência, instabilidade política e econômica, será outro exemplo de que o bolsonarista prioriza mais interesses próprios do que o país.
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