Casas Bahia: o preço do dinheiro e a nova onda de recuperações
Foto: Divulgação/Casas Bahia *Artigo escrito por Felipe Finamore, advogado especialista em Recuperação Judicial e sócio do Escritório Finamore Simoni No dia 17 de agosto as Casas Bahia protocolaram pedido de recuperação judicial , declarando um passivo de R$ 17,3 bilhões e cerca de 28 mil credores.
O valor impressiona, mas o que chama atenção é a reincidência: em 2024, o mesmo grupo havia reestruturado R$ 4,1 bilhões em recuperação extrajudicial.
Dois anos depois, o passivo quadruplicou e a empresa admite viver a pior crise financeira desde a sua fundação, nos anos 1950.
O caso não é isolado.
O Indicador da Serasa Experian registrou 977 processos de recuperação judicial em 2025, o maior volume desde 2016, envolvendo 2.466 CNPJs, recorde da série histórica.
Em janeiro deste ano, 8,7 milhões de empresas estavam negativadas.
A comparação com 2016 é esclarecedora, pois naquele ano havia recessão declarada.
Hoje não há.
Ainda assim, mais empresas estão em reestruturação.
O que mudou foi o “preço” do dinheiro.
A Selic encerrou 2025 em 15% ao ano e, mesmo após quatro cortes consecutivos, permanece em 14%, patamar que o próprio Banco Central reconhece como restritivo.
Empresas que atravessaram o ciclo iniciado em 2021 rolando dívida chegaram a 2026 com estoque de passivo caro e margens comprimidas.
O juro alto atua por três canais simultâneos: encarece o capital de giro, encarece a manutenção de estoque e encarece as operações de antecipação com fornecedores — o risco sacado, que virou peça central da estrutura de capital do varejo brasileiro.
Ao mesmo tempo, a inflação corrói a renda das famílias e reduz o consumo, justamente na ponta em que a receita precisaria crescer para sustentar o serviço da dívida.
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