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Dois meses após terremotos na Venezuela, famílias ainda buscam por parentes desaparecidos em La Guaira

Opera Mundi ·
Dois meses após terremotos na Venezuela, famílias ainda buscam por parentes desaparecidos em La Guaira

Nesta segunda-feira (24/08), o terremoto duplo que devastou o estado de La Guaira, na Venezuela , completa dois meses. Nas áreas mais afetadas, sobraram pilhas de concreto e entulho. O movimento diminuiu, mas algumas localidades ainda mantêm operações de busca por vítimas que permanecem soterradas sob os escombros. Até o momento, o governo venezuelano indica que a tragédia deixou aproximadamente 6.500 mortos.

Em Caraballeda, um dos municípios mais atingidos pelos sismos de magnitude 7,2 e 7,5, famílias observavam, neste domingo (23/08), debaixo das sombras das barracas posicionadas às margens das montanhas de concreto que restaram dos edifícios que desabaram, o andamento dos trabalhos.

“Estou buscando minha irmã”, disse Deisy Rodríguez, que há dois meses deixou de procurar emprego para tentar encontrar Carmen Rodríguez, uma das tantas desaparecidas que não são contabilizadas pelos números oficiais divulgados pelo governo Venezuelano. “Eu venho para cá todos os dias. Chego às seis da manhã e fico até umas seis da tarde. É terrível, mas vou ficar aqui até conseguir o corpo da minha irmã”, relata Deisy.

Não se sabe ao certo quantos corpos ainda permanecem debaixo dos escombros. Neste domingo, Hernán José Paredes, trabalhador vinculado ao Ministério do Poder Popular de Obras Públicas, tentava quebrar o concreto para acessar uma possível vítima. Ao seu lado, agentes do serviço funerário venezuelano, vestidos com macacão de proteção descartável, aguardavam a remoção de um corpo encontrado mais cedo.

Para José Paredes, que diz estar trabalhando nas operações de busca e resgate desde o início da tragédia, os trabalhos de remoção dos corpos podem durar meses. “Vai levar tempo. Aqui se está retirando laje por laje. Se a gente entrar com máquina, não vai ser possível reconhecer os corpos”, disse o trabalhador que contou já ter extraído nove corpos de vítimas da tragédia.

O terremoto duplo que devastou o estado de La Guaira, na Venezuela, completa dois meses RS/Via Fotos Publicas

Nem todos os corpos localizados, no entanto, são identificados pelas famílias das vítimas. Na semana passada, os corpos de 40 crianças e adolescentes que estavam no necrotério improvisado montado em uma zona portuária de La Guaira foram encaminhados ao Cemitério da Esperança, onde foram sepultados junto a outras vítimas não identificadas.

Todas as lápides contêm informações que podem ajudar possíveis familiares a reconhecer os corpos posteriormente.

O volume de escombros deixado pelos terremotos de 24 de junho em La Guaira chega a 2,1 milhões de toneladas, segundo estimativa do ministro do Ecossocialismo, Nelson Rodríguez. A remoção e o processamento desse material poderiam levar cerca de um ano.

“Estimamos que pode ser cerca de um ano de trabalho, de classificação, de trituração, para reduzir o volume [dos escombros]. Cada vez que trituramos reduzimos o volume em cerca de 80%. Fazemos essa estimativa de um ano para poder acabar [todo o trabalho]”, afirmou Rodríguez, em entrevista ao canal estatal VTV , na semana passada.

Segundo o ministro, em 57 dias de operação, mais de 500 mil toneladas foram retiradas dos locais dos desabamentos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.

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