O STF não pode virar joguete eleitoreiro
A crise no STF gerada a partir da ação imprudente do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, tomou a agenda nacional.
Era o seu objetivo.
Devemos atuar em sentido contrário.
Os poucos dias que faltam para as eleições deixam nítido que retirar o comando da Polícia Federal e incendiar a base bolsonarista investigando outro ministro não são movimentos jurídicos, mas políticos.
Ainda mais quando fica evidente que ele já detinha informações que confirmavam seu próprio envolvimento com Vorcaro.
A tramoia revelou-se quando Kassio Nunes Marques se disse impedido de continuar na sessão de 15 de setembro, mas não fez o mesmo quando votou na 2ª Turma do STF, em 8 de setembro, a favor do afastamento do diretor-geral da PF.
Ou seja, foram os fatos novos que surgiram a partir do celular do Vorcaro, que André Mendonça tentava esconder, que levaram ao impedimento de Nunes Marques.
A evidente relação de diversos ministros do Supremo com Vorcaro, acusado do maior crime financeiro da história recente brasileira, é lastimável.
Lastimável e reveladora do papel que o dinheiro cumpre na deterioração democrática.
É também reveladora da dominância dos bancos sobre o conjunto da nossa democracia.
Se um banquinho como o Master detinha tamanho poder, o que pensar dos grandes bancos nacionais e internacionais? Até onde vai seu lobby na justiça, na política, no Banco Central, na imprensa, nas igrejas… Está evidente que o capital corroeu muitos juízes do Brasil.
Mas, definitivamente, isso não pode significar uma desmoralização da Corte que teve, inclusive, papel mais que relevante em importantes decisões recentes.
Devemos separar o juízo sobre os juízes, do juízo sobre a Corte.
É preciso sair da floresta para ver a floresta.
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