Investir no esporte feminino se tornou um negócio lucrativo, e só não vê isso quem não quer
Projeto do novo estádio do Brighton voltado exclusivamente para o futebol feminino - Divulgação
Durante muito tempo, investir no esporte feminino parecia, para alguns, uma decisão mais ideológica e até mesmo de “caridade” do que econômica. O discurso era sempre o mesmo: não existe público, não existe mercado, não dá retorno. Mas contra dados e números não há argumentos, e quem notou o movimento do mercado nos últimos tempos sabe que investir em esportes femininos não é filantropia; é lucrativo. Investidores e marcas ao redor do mundo já perceberam e agora estão à frente de seus concorrentes.
O mesmo raciocínio ajuda a entender os investimentos de Alexis Ohanian, cofundador do Reddit e marido de Serena Williams. Ele foi o investidor, fundador e líder do Angel City FC, clube feminino de Los Angeles que também teve Serena entre seus investidores, e depois ampliou sua atuação no esporte feminino com investimentos no atletismo e a criação do Athlos, entre outros.
Serena também passou de uma das maiores atletas da história a investidora da indústria. Em 2025, tornou-se uma das proprietárias do Toronto Tempo, primeira franquia canadense da WNBA. Não estamos falando apenas de pessoas defendendo uma causa; estamos falando de investidores comprando participação no futuro de um mercado.
Em 2027, o Brasil receberá a primeira Copa do Mundo Feminina realizada na América do Sul. A Fifa prevê investir cerca de US$ 800 milhões (aproximadamente R$ 4,2 bilhões, pela cotação atual) na competição. Estimativas divulgadas em 2026 apontam ainda que o evento poderá movimentar R$ 8,8 bilhões na economia brasileira e gerar mais de 70 mil empregos.
A força de realizar um Mundial Feminino deste porte no Brasil pode fazer com que o mercado e a indústria esportiva brasileira também se atentem para o grande potencial do esporte feminino? Certamente estamos progredindo, e já temos grandes marcas que compreenderam esse cenário.
O iFood patrocina a seleção brasileira feminina de futebol desde a Copa passada. Com uma ação inovadora, trouxe a transmissão dos jogos, junto à CazéTV e ao McDonald’s, diretamente para o próprio app. O resultado? A ação impactou 21 milhões de pessoas, gerou um tempo médio de permanência de 70 minutos na plataforma e resultou em um aumento de 23% nas vendas durante as transmissões.
Já a Petrobras, junto à Rede Globo, criou a versão feminina do Cartola, que em sua primeira edição teve 220 mil inscrições, e ainda está construindo o primeiro centro de treinamento exclusivamente feminino no Brasil, pertencente à Ferroviária. De quebra, segue ampliando a parceria com a Federação Paulista de Futebol (FPF).
Mas, mesmo com todos esses números, ainda somos confrontadas constantemente sobre a audiência e o potencial dos esportes femininos. Sim, ainda é necessário um trabalho de muito convencimento.
E é aí que acredito estar a maior oportunidade para empresas e marcas no Brasil, porque, de fato, ainda existe muita audiência a ser conquistada no país para as modalidades femininas. E quem se conectar primeiro certamente terá uma enorme fatia deste mercado consumidor.
Um dos maiores desafios do esporte feminino acontece muito antes do alto rendimento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em maquinadoesporte.com.br — o conteúdo pertence a Máquina do Esporte.