Idoso tem aposentadoria comprometida por fraude e consegue reverter prejuízo na Justiça
Dependente da aposentadoria para garantir o básico do dia a dia, o idoso J.A.S. começou a perceber que algo não fechava no fim do mês.
Pequenos descontos, que ele não reconhecia, passaram a se repetir até comprometer uma parte significativa de sua renda — a única fonte de sustento.
Sem entender a origem das cobranças e diante das dificuldades de leitura e escrita, ele buscou ajuda.
Analfabeto, J.A.S. enfrenta uma realidade comum a muitos brasileiros em situação de vulnerabilidade: a dificuldade de compreender contratos e identificar possíveis fraudes.
Foi com o apoio da Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) que ele conseguiu reverter a situação.
Segundo a defensora pública Elcianne Viana, o aposentado já havia tentado resolver o problema administrativamente, inclusive junto ao Procon, mas não obteve resposta.
“Os descontos comprometiam diretamente sua sobrevivência.
Diante disso, ingressamos com uma ação judicial para suspender as cobranças, anular os contratos e garantir a devolução dos valores”, explicou.
Durante a análise do caso, a Defensoria identificou não apenas um, mas vários contratos considerados irregulares.
Entre eles, um refinanciamento consignado que ultrapassava R$ 16 mil.
Apesar do valor elevado, o idoso teria recebido apenas R$ 176,43, enquanto continuava sofrendo descontos mensais de R$ 424,20 em seu benefício.
A Justiça reconheceu as irregularidades, declarou a nulidade dos contratos e determinou a interrupção definitiva das cobranças.
A instituição financeira também foi condenada a devolver, em dobro, os valores descontados indevidamente.
Para J.A.S., a decisão representa mais do que o alívio financeiro: significa a recuperação da tranquilidade e da dignidade no uso de um benefício essencial para sua sobrevivência.
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