“Feminicídio é o fim da linha”, diz ministra ao defender pacto estadual contra violência durante agenda em Roraima
Márcia Lopes participa, nesta quarta-feira, da Reunião Extraordinária do Colegiado Gestor da Casa da Mulher Brasileira, em Boa Vista, e da cerimônia de instalação do Fórum Estadual de Organismos de Políticas para as Mulheres de Roraima (Foto: Wenderson Cabral/Folha BV) A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, defendeu a criação de um pacto estadual para integrar os órgãos públicos no enfrentamento à violência contra as mulheres em Roraima.
Durante passagem por Boa Vista nesta quarta-feira (23), ela afirmou que o feminicídio é resultado de um processo de violência que pode começar com ameaças, agressões físicas, violência psicológica ou controle sobre a vida da mulher.
“A gente fala que o feminicídio é o fim da linha.
Nós fizemos inclusive a campanha ‘não deixe chegar ao fim da linha, ligue 180’”, afirmou a ministra em entrevista exclusiva à FolhaBV.
Dados compartilhados pelo Ministério das Mulheres mostram que Roraima registrou três feminicídios entre janeiro e agosto de 2026, contra cinco no mesmo período de 2025, uma redução de 40%.
No mesmo intervalo, foram contabilizadas 21 tentativas de feminicídio, ante 27 no ano passado, queda de 22%.
Também foram registrados 82 estupros de mulheres neste ano, contra 84 em 2025, e 277 estupros de vulneráveis, categoria que inclui meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade, contra 279 no mesmo período do ano anterior.
Apesar da redução nos registros comparados ao ano passado, a ministra afirmou que os números precisam ser analisados junto com o funcionamento da rede de proteção e a identificação das mulheres que já estão em situação de risco.
“Quem são essas mulheres? E como nós podemos evitar que novas mulheres sofram essa violência.
Porque o feminicídio, geralmente, todos os estudos mostram que ele não acontece de uma hora para a outra.
Ele sempre é resultado de um processo de relação abusiva entre o parceiro, companheiro, marido, enfim, namorado e a mulher”, disse.
Medidas protetivas Durante a entrevista, Márcia Lopes também destacou a redução no tempo médio de concessão das medidas protetivas de urgência .
Segundo ela, o prazo, que chegava a 15 ou 16 dias até o ano passado, caiu para cerca de dois dias em média no país.
A ministra afirmou ainda que, em Roraima, as mulheres costumam deixar o atendimento já com a medida concedida no mesmo dia, informação que, segundo ela, precisa ser acompanhada pela avaliação sobre o funcionamento da rede depois da decisão.
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