Governo Lula manobrou no STF para blindar aumento do Bolsa Família, diz advogada de Flávio
A advogada Maria Claudia Bucchianeri, da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusa o governo de Luiz Inácio Lula da Silva de fazer manobra para evitar decisões judiciais contrárias ao reajuste de 15% do Bolsa Família, instituído nesta quinta-feira, 17.
Uma ação proposta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo candidato Renan Santos contestou o aumento sob alegação de que ele viola a lei eleitoral. Após sorteio, o caso foi distribuído ao ministro André Mendonça, que se tornou o relator do processo.
Na noite desta sexta-feira, 18, uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerou o reajuste do programa social legal, blindando o governo de uma eventual decisão desfavorável no TSE.
Em seu despacho, Gilmar considerou que o decreto de Lula concedendo o aumento apenas recompõe pela inflação os valores do programa, sem criar novo benefício, ampliar o número de beneficiários ou modificar os critérios de elegibilidade. "Trata-se apenas de atualização dos valores das prestações integrantes de programa social já existente, mediante critério objetivo de correção monetária", escreveu o decano do STF.
Com o aumento linear dos benefícios dentro do Bolsa Família, o piso dos pagamentos sai de R$ 600 para R$ 691, com a média dos benefícios saltando de R$ 691 para R$ 777. Segundo cálculos apresentados pelo governo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) desde o início do programa até agosto foi de 15,04%.
Gilmar Mendes atuou no caso após receber ainda no dia 16 uma petição da Defensoria Pública da União. Eram 18h50, quando a DPU deu entrada num ofício direcionado a Gilmar pedindo que ele notificasse o governo federal sobre a possibilidade de conceder reajuste para os benefícios do programa social. A DPU sugeriu que o magistrado concedesse prazo de 15 dias para o Poder Executivo responder. Na manhã do dia seguinte, a gestão petista já anunciava a correção no valor do benefício.
O pedido da DPU foi apresentado numa ação que tramitava desde 2020 e estava arquivada desde agosto de 2024. Procurada, a DPU ainda não se manifestou.
Para Bucchianeri, o procedimento adotado é irregular e fere normas do regimento interno do STF. "Isso é de uma anomalia imensa, porque o regimento do Supremo fala que, uma vez que o processo transita em julgado, ele acabou. É como se ele não existisse mais", disse a advogada.
A jurista afirma que o governo recorreu a esse expediente em combinação com a DPU porque sabia que Gilmar tem alinhamento com o Palácio do Planalto.
"O racha no Supremo está tão agudo e eles entraram no jogo eleitoral de uma tal forma que as partes estão escolhendo seus juízes. E estão burlando todas as regras de distribuição de sorteio, de competência e de cabimento", afirmou Bucchianeri.
A ação em que Gilmar deu a decisão nesta sexta originalmente cobrava do governo Bolsonaro a implantação de um programa de renda mínima, como previsto em lei aprovada em 2004.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.