Águas na costa da Europa estão até 6°C acima do normal, fruto da mudança climática
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Oceanos em todo em todo o planeta registraram temperatura recorde em junho e julho, mostrou o último relatório do serviço Copernicus . Nas águas que banham a Europa o aquecimento é ainda mais agudo, com temperaturas até 6°C acima do normal. A anomalia, que afeta da remota vida marinha aos preços do mercado da esquina, é fruto da mudança climática .
A conclusão é de um estudo de atribuição publicado nesta quarta-feira (19), que analisou o comportamento da temperatura da superfície da água (SST, na sigla em inglês) em quatro regiões costeiras europeias. Em todas, detectou aquecimento acima da média global; no mar Mediterrâneo, o dobro.
No golfo de Biscaia, localizado ao norte da Espanha e sudoeste da França, no mar Celta, ao sul da Irlanda , e nas porções ocidental e oriental do Mediterrâneo, o SST excedente é, na média, de 1,4°C.
Dos 3°C de aquecimento alcançados no Mediterrâneo, ao menos 2°C são obra da mudança climática, provocada sobretudo pela queima de combustíveis fósseis, como petróleo , carvão e gás natural, mostra a análise realizada pelo World Weather Attribution (WWA).
Capitaneado pelo Imperial College, de Londres , o grupo reúne cientistas para averiguar o tamanho da responsabilidade do aquecimento global em eventos extremos.
A contribuição subsidiária da crise climática, segundo o WWA, chega a 1,4°C na Península Ibérica e a 1,3°C nas proximidades da costa irlandesa.
"Em todas as quatro regiões, esses eventos teriam sido muito raros em um clima pré-industrial, apesar de terem se tornado comuns atualmente", afirma Claire Bergin, da Universidade de Maynooth, na Irlanda. Uma das autoras do estudo, ela chama a atenção para o caso crítico da porção de mar que separa a Europa da África.
"As regiões do Mediterrâneo estão se aquecendo ainda mais rapidamente, com um aumento de aproximadamente 2,9°C no leste e de 3,4° no oeste. Os valores representam mais do que o dobro da taxa de aquecimento global e mais do que o triplo da taxa de aquecimento dos oceanos no planeta."
Com dados coletados durante os 14 dias mais quentes de julho e usando modelos climáticos , a responsabilidade do aquecimento global também ficou evidente quando analisada a extensão das ondas de calor marítimas.
"Constatamos que, sem a mudança climática, seria esperado que apenas 30% da área do mar Celta sofresse uma onda de calor marinha, em comparação com os 80% atingidos no clima atual", diz a pesquisadora. Na região do golfo da Biscaia, a área atingida passou de 40% para 90%, e no Mediterrâneo ocidental, de 40% para 80%.
"No Mediterrâneo oriental, a variação passou de surpreendentes 9% para 70%."
O calor em excesso tem forte impacto na vida marinha, explica John Bruno, professor da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, que também participa da análise. "É notável a pequena quantidade de aquecimento necessário para que organismos ultrapassem seus limites e morram. Apenas 1°C no caso dos recifes de corais , por exemplo."
O aquecimento também reestrutura as comunidades e provoca migrações. "Temos vencedores e perdedores.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.