Mudanças climáticas levam a temperaturas recordes nos mares da Europa, dizem cientistas
BRUXELAS, 18 Ago (Reuters) - As mudanças climáticas causadas pelo homem foram o principal motivo por trás das recentes temperaturas marítimas recordes na Europa, apontam cientistas, alertando para graves consequências para os ecossistemas marinhos e as comunidades costeiras.
Os mares da Europa não escaparam do calor extremo que muitos países enfrentaram neste verão. No mês passado, a temperatura média no Mediterrâneo foi de 27°C, a mais alta já registrada para o mês de julho, enquanto uma bóia offshore próxima a Mallorca registrou 33°C no início de agosto.
As mudanças climáticas causadas pelo homem contribuíram com cerca de 2°C de aquecimento no Mediterrâneo e cerca de 1,4°C nos mares da Europa Ocidental, de acordo com uma análise do grupo World Weather Attribution (WWA), que utiliza métodos revisados por pares para avaliar o papel do aquecimento global em eventos climáticos extremos.
“Isso tem o potencial de remodelar completamente os ecossistemas dos quais as comunidades costeiras dependem para alimentação e renda, além de provocar eventos climáticos extremos prejudiciais também em terra firme”, disse Claire Bergin, cientista climática da Universidade de Maynooth, na Irlanda, e coautora do estudo.
A análise constatou que os picos de temperatura do mar registrados neste ano no leste e no oeste do Mediterrâneo, assim como ao longo do Golfo da Biscaia e da costa ibérica, teriam sido “praticamente impossíveis” sem as mudanças climáticas causadas pelo homem.
No Mar Céltico, ao largo do Reino Unido e da Irlanda, as temperaturas mais extremas registradas só seriam esperadas cerca de uma vez a cada século em um mundo sem mudanças climáticas causadas pelo homem, segundo o estudo.
Mares mais quentes aumentam a umidade e as temperaturas noturnas nas áreas costeiras e podem contribuir para o surgimento de tempestades intensas no final do ano.
As emissões de gases de efeito estufa, principalmente decorrentes da queima de combustíveis fósseis, elevaram a temperatura média do planeta para cerca de 1,4°C acima dos níveis pré-industriais, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial. Essa linha de base mais quente significa que os sistemas atmosféricos de alta pressão que causam ondas de calor podem atingir temperaturas mais elevadas.
Picos na temperatura do mar podem causar a morte em massa de espécies como os corais e interromper o suprimento de alimentos para aves e mamíferos, com efeito dominó nas cadeias alimentares.
John Bruno, ecologista marinho da Universidade da Carolina do Norte, afirmou que algumas espécies estão se deslocando para o norte em busca de águas mais frias, mas nem todas conseguem se adaptar.
“Estamos nos aproximando rapidamente dos limites biológicos absolutos de adaptação para muitas espécies”, disse ele.
De acordo com a análise da WWA, cerca de 90% do Golfo da Biscaia e 80% do Mediterrâneo ocidental passaram por condições de onda de calor marinho neste ano. Sem o aquecimento global, esse número teria ficado mais próximo de 40%.
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