Tribunal recebe denúncia contra TH Joias e mais quatro acusados de ligação com CV
A Justiça Federal recebeu por unanimidade a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-deputado TH Joias e mais quatro acusados de manter ligações com o Comando Vermelho (CV).
A denúncia imputa os crimes de organização criminosa, corrupção, tráfico de drogas, contrabando, comércio ilegal de arma de fogo e munições e posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
A decisão é da 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).
Além do ex-deputado, vão responder ao processo Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, ex-assessor parlamentar; Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes; Gustavo Stteel, delegado de Polícia Federal ; e Gabriel Dias de Oliveira, o Índio, apontado pela Polícia Federal como liderança do CV.
Segundo a investigação da PF, o ex-deputado intermediava a importação clandestina de armas para organizações criminosas.
De acordo com a Polícia Federal, também teriam sido negociados dispositivos para bloquear o sinal de drones usados pelas forças policiais para monitorar as movimentações de criminosos.
Na Alerj, sob a liderança de TH Joias, assessores negociavam munições de uso restrito, inclusive recolhidas em apreensões policiais, intermediavam a venda de drogas e usavam o gabinete para acomodar indicações da facção, segundo o Ministério Público Federal.
Nas secretarias estaduais de Casa Civil e de Defesa do Consumidor, o ex-secretário Carracena vazava dados policiais em troca de vantagens indevidas, aponta a investigação.
Já o delegado Gustavo Stteel repassava informações privilegiadas e tentava intervir em favor dos líderes do grupo em troca de cargos públicos para sua companheira, entre outras contrapartidas, diz o MPF.
Continua após a publicidade O tribunal manteve a prisão preventiva dos acusados, ordenou a transferência do ex-deputado para uma penitenciária federal e deu aval ao compartilhamento de provas.
O processo também foi desmembrado: o núcleo central será julgado pelo TRF2, enquanto outros nove acusados fora desse núcleo, como policiais militares, assessores e intermediários, serão julgados pela primeira instância da Justiça Federal.
Continua após a publicidade O grupo de TH Joias teria operado para vazar informações sigilosas de operações policiais, inclusive da Operação Zargun, que foi deflagrada para investigar o esquema.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR) , o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar teria repassado dados ao ex-deputado.
Em agosto, os dois se tornaram réus por obstrução de investigação criminosa no Supremo Tribunal Federal (STF) .
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