CEO da Indexa diz que Flávio Bolsonaro está recuperando eleitores após caso Master
O eleitor que havia deixado de apoiar Flávio Bolsonaro (PL) após a repercussão do caso "Dark Horse" e passado a se declarar indeciso está retornando gradualmente ao candidato à Presidência, segundo o CEO do Instituto Indexa Pesquisas, Arilton Freres. Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast , ele avaliou que o movimento explica o estreitamento da disputa entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Esse eleitor, pouco a pouco, vem voltando para o Flávio. Ele já meio que precificou a questão do Dark Horse", afirmou Freres, em referência ao pedido de dinheiro do senador ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Esse estreitamento entre Lula e Flávio é muito mais uma recuperação do eleitor que já era do Flávio, estava decepcionado e aparecia como indeciso ou dizia que não iria votar do que a conquista de um eleitor novo", acrescentou.
A pesquisa Indexa/Broadcast, divulgada nesta quarta-feira, 26, mostra Lula com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno, ante 41% de Flávio. O petista manteve o mesmo porcentual da rodada de 26 de julho, feita pela Indexa, enquanto o candidato do PL oscilou dois pontos para cima, de 39% para 41%, em uma variação dentro da margem de erro.
Outros 6% afirmaram que não vão votar, 5% escolheram as opções branco ou nulo e 2% se declararam indecisos ou não souberam responder. Este é o primeiro levantamento fruto da parceria entre a Broadcast , serviço em tempo real de notícias, dados financeiros e análises políticas do Estadão, e a Indexa para a divulgação de pesquisas eleitorais qualitativas e quantitativas exclusivas sobre a corrida presidencial.
Segundo Freres, a queda registrada anteriormente por Flávio não havia beneficiado diretamente os demais candidatos da direita. Os eleitores que deixaram o candidato do PL não migraram para Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) ou Romeu Zema (Novo), mas passaram principalmente para a indecisão.
"O fato é que quase metade do eleitorado rejeita Flávio e quase metade rejeita Lula. O que sobra nessa franja é o que vai definir quem ganhará a eleição", disse. Conforme a pesquisa, o medo da volta da família Bolsonaro ao poder e o de mais um mandato de Lula também estão empatados, citados por 39% dos entrevistados cada.
Ao todo, 77% afirmam que o voto para presidente já é definitivo, enquanto 19% admitem que ainda podem mudar. A consolidação é praticamente idêntica entre os dois líderes: 81% dos eleitores de Lula e 80% dos apoiadores de Flávio consideram sua escolha definitiva.
Freres avalia que os eleitores mais suscetíveis a mudanças estão entre os que atualmente apoiam candidatos com menor intenção de voto. Parte deles, porém, rejeita tanto Lula quanto Flávio e pode optar pela abstenção ou pelo voto branco ou nulo em um eventual segundo turno.
O levantamento indica que a parcela disposta a reconsiderar a escolha chega a 24% no Sudeste e a 21% entre as mulheres.
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