Intervenção de secretário de Trump em títulos coloca Tesouro dos EUA em colisão com Fed
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A intervenção do secretário do Tesouro dos Estados Unidos , Scott Bessent, no mercado de títulos está seguindo em direção oposta à batalha do Fed (Federal Reserve) contra a inflação, alertaram grandes investidores antes do discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole, no estado de Wyoming.
Wall Street criticou amplamente a decisão surpresa de Bessent, anunciada na semana passada, de "pelo menos dobrar" as compras de títulos de longo prazo do governo americano. Investidores afirmam que a medida pode tanto prejudicar a credibilidade do Tesouro quanto dificultar a capacidade do Fed de conter a alta da inflação neste ano.
A estratégia de Bessent para sustentar o mercado de títulos de US$ 32 trilhões (R$ 164,8 trilhões), depois que os custos de empréstimos de longo prazo atingiram o maior nível em 19 anos, elevou a pressão sobre Warsh antes de seu discurso na conferência econômica do Fed de Kansas City, na sexta-feira (21).
"Tenho uma visão muito negativa sobre a justificativa do Tesouro e sua interferência. Acho que é uma estratégia autolimitada e autodestrutiva", disse Greg Peters, co-diretor de investimentos da PGIM Credit. "Os mercados esperam alguma coisa de Warsh , mas não tenho certeza do que ele deveria fazer neste caso."
Lisa Shalett, diretora de investimentos da Morgan Stanley Wealth Management, acrescentou que intervir no mercado de Treasuries "porque você está irritado" com a alta dos rendimentos "não é um argumento convincente e cheira a capricho".
"E você não quer um Tesouro imprevisível e caprichoso", disse ela. Se Bessent continuasse tentando exercer controle sobre os rendimentos no mercado de títulos mais importante do mundo, "isso seria uma admissão de que eles estão preocupados em Washington com a sustentabilidade da dívida", acrescentou Shalett.
A reação à intervenção surpresa de Bessent aumentou a pressão sobre o presidente do Fed para tranquilizar investidores sobre os riscos financeiros e econômicos decorrentes da guerra do governo Trump contra o Irã, que fez os custos dispararem para consumidores e empresas.
Warsh viaja para o encontro de banqueiros centrais em Jackson Hole já pressionado pelos mercados —e por alguns de seus colegas no Fed— a explicar o que seria necessário para elevar os juros e levar a inflação para mais perto da meta de 2% do banco central. A leitura mais recente colocou a inflação dos EUA em 3,7%.
O plano de Bessent de aumentar as compras de títulos tem como objetivo reduzir os custos de empréstimos de longo prazo, que subiram nos últimos meses em meio a preocupações com a inflação, o aumento dos gastos públicos e a enorme emissão de dívida para financiar o boom da IA (inteligência artificial) .
Warsh e Bessent —ambos protegidos do bilionário dos fundos de hedge Stanley Druckenmiller— se encontram regularmente e, segundo pessoas próximas, mantêm uma relação cordial.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.