Operadores ampliam aposta em ações do Brasil conforme cai vantagem de Lula na eleição
(Bloomberg) — Investidores estão aumentando as apostas otimistas em opções ligadas às ações brasileiras, preparando-se para uma possível valorização do mercado diante dos sinais de que a próxima disputa presidencial poderá ser mais acirrada do que o esperado.
A demanda por opções sobre o Ibovespa e sobre o ETF iShares MSCI Brazil, negociado nos Estados Unidos sob o ticker EWZ, disparou nos últimos dias.
O interesse em aberto em opções de compra (calls) que apostam que o principal índice da bolsa brasileira alcançará 200 mil pontos até novembro, após um eventual segundo turno, saltou para 5,6 milhões de contratos na terça-feira, acima dos 1,1 milhão registrados no dia anterior.
Atualmente, o Ibovespa negocia em torno de 175 mil pontos.
Leia também Ibovespa vira para alta com blue chips, acompanhando NY A pauta local do dia incluía dados de emprego mostrando um mercado de trabalho ainda resiliente no Brasil O volume de opções de compra do EWZ também atingiu na terça-feira o maior nível desde dezembro.
Grandes operações com estratégias de spread de calls indicam que investidores institucionais estão apostando em preços mais altos para os ativos brasileiros.
“Os investidores estão começando a acreditar que as chances de Lula não são tão fortes”, afirmou João Luiz Braga, gestor de portfólio da Encore Asset Management.
Uma pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada na segunda-feira mostrou que a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, diminuiu com o início oficial da campanha eleitoral.
Outro levantamento, da Datafolha, publicado na sexta-feira, apontou Lula com vantagem de quatro pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Investidores costumam recorrer ao mercado de opções para proteger seus portfólios diante de eventos de elevada incerteza.
A eleição brasileira é vista como um ponto de inflexão para o apetite ao risco, já que os dois principais candidatos tendem a adotar abordagens diferentes para enfrentar os desafios fiscais do país, passo considerado necessário para abrir espaço para juros mais baixos.
Os custos de financiamento permanecem próximos dos níveis mais altos em duas décadas, pressionando tanto empresas quanto consumidores.
“Atualmente, os mercados precificam um grau significativo de pessimismo em relação aos ativos brasileiros, enquanto, ao mesmo tempo, temos uma eleição pela frente com características bastante binárias”, afirmou Rodrigo Santoro, diretor de renda variável da Bradesco Asset Management.
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