Ex-engenheiro do Facebook diz que acordo da Meta não protege adolescentes
Um ex-funcionário do Facebook que depôs em um julgamento nos EUA diz que o acordo fechado pela Meta com procuradores-gerais de estados americanos não é suficiente para reduzir os danos das redes sociais a adolescentes, segundo o The Guardian.
Arturo Béjar, ex-engenheiro de segurança do Facebook e denunciante, critica o foco do acordo em limitar o tempo de uso . "As limitações que estão no acordo são o equivalente a dizer: 'Bem, você pode fumar quantos cigarros conseguir em duas horas por dia'. Isso não torna os cigarros mais seguros", afirmou Béjar em entrevista exclusiva ao The Guardian.
Estados acusaram a Meta de desenhar produtos viciantes e associaram o uso a problemas de saúde mental em jovens . As ações citam riscos como transtornos alimentares, depressão e suicídio e levaram a empresa a aceitar mudanças no Instagram e no Facebook.
A Meta diz que o acordo vai além do limite de tempo e inclui mudanças no funcionamento dos perfis de adolescentes . A empresa cita, entre as exigências, feed não algorítmico como padrão na abertura de contas, controles parentais e a opção de reverter o conteúdo para um formato não personalizado.
Recursos como "modo noturno" e "modo escola" devem restringir o uso em horários específicos . O acordo também prevê que ferramentas de supervisão de pais e responsáveis sejam ativadas por padrão e que funções de "comparação social", como filtros de beleza e curtidas, fiquem desativadas inicialmente.
Béjar afirma que o acerto não cria fiscalização independente nem metas mensuráveis para reduzir danos . "Isso não é um sinal verde para dizer que o produto é seguro. Assim como com tabaco e opioides, o produto continua sendo prejudicial depois do acordo. O trabalho precisa continuar para garantir que ele seja seguro o suficiente para os jovens", afirmou.
A Meta rebateu as críticas e disse que já tem proteções para adolescentes dentro das plataformas . "Temos uma enorme série de proteções embutidas. Os comentários de Béjar realmente ignoram isso e também ignoram o enorme valor que os adolescentes tiram das redes sociais de várias maneiras", afirmou um porta-voz da empresa ao jornal britânico
A Meta fechou um acordo com 47 estados americanos mais o Distrito de Columbia e 3 territórios ultramarinos para encerrar acusações de que suas redes sociais prejudicaram jovens por estimular comportamento viciante. Pelo acerto, a empresa vai desembolsar cerca de US$ 12 bilhões de início, e o total pode chegar a US$ 17,1 bilhões se TikTok, Snap e YouTube também fizerem acordos semelhantes com os estados.
O ponto central do acordo é que ele obriga a Meta a mexer no produto para todos os usuários nos EUA, o que pode afetar o modelo de negócios da empresa. As mudanças incluem interrupções na rolagem sem fim, limites diários de uso e restrições noturnas para reduzir perda de sono e o consumo compulsivo.
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